5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.
Os deuses mesopotâmicos eram cultuados pelos sumérios, acádios, babilônios e assírios na terra entre o Tigre e o Eufrates, berço da escrita e das cidades. Cada urbe erguia um zigurate ao seu deus patrono, servido por uma poderosa casta de sacerdotes. Seus mitos, como o Enuma Elish e a Epopeia de Gilgamesh, estão entre os mais antigos do mundo.
O festival de Akitu abria o ano novo com procissões pela Via Sacra da Babilônia, e o rito do casamento sagrado unia simbolicamente Inanna e Dumuzi para garantir a fertilidade. Lamentações, hinos e adivinhação pelo fígado de animais marcavam a vida religiosa diária.
01
Em poucas palavras
Anzu, também escrito Anzû ou Anzud (em sumério dIm-dugud, 𒀭𒅎𒂂), é uma ave monstruosa da religião mesopotâmica, figurada como águia com cabeça de leão e ligada à tempestade e às nuvens de trovão. Na arte do terceiro milênio a.C. ela aparece como emblema de Ningirsu, deus de Lagash: o Vaso de Enmetena, hoje no Louvre (AO 2674), traz quatro águias com cabeça de leão prendendo leões, íbex e cervos, e o grande relevo de cobre de Tell al-'Ubaid mostra a mesma figura segurando dois cervos. Nos textos sumérios ela tem papéis distintos. No poema Lugalbanda e o pássaro Anzud, a ave de dentes de tubarão e garras de águia faz tremer as montanhas, mas recompensa a hospitalidade do herói com o dom da velocidade. No prólogo de Gilgamesh, Enkidu e o mundo dos mortos, Anzud choca seus filhotes nos galhos da árvore halub de Inana e foge para as montanhas quando Gilgamesh mata a serpente das raízes. Nos Cilindros de Gudea, o templo E-ninnu de Ningirsu é chamado de ave Anzud branca. Na narrativa acadiana, conhecida como Mito de Anzu (versão padrão babilônica do primeiro milênio a.C. e versão paleobabilônica de Susa), Anzu é posto por Enlil como guarda da câmara em que o deus se banha, rouba a Tábua dos Destinos e paralisa os deuses, até que Ninurta (Ningirsu na versão paleobabilônica) o vence depois de cortar-lhe as penas das asas. Este estudo separa essas tradições, porque elas não contam a mesma história e não devem ser fundidas num único mito. O ETCSL 1.8.2.2 também conta que Lugalbanda alimenta o filhote de Anzud com bolos de mel e carne, arruma o ninho e pinta seus olhos com kohl; depois, Anzud lhe concede vigor e força para a viagem.
21 min de leitura · Revisado em 14 de outubro de 2026 · Como pesquisamos
02
Símbolos sagrados
O pássaro gigante, a cabeça de leão, a tempestade e as Tábuas do Destino
03
Família
Pais
Segundo Ea no Mito de Anzu, Anzu foi gerado pela água da enchente, água santa dos deuses do Apsu, concebido pela Terra ampla e nascido de rochas da montanha; a Wikipédia registra ainda a tradição que o dá como filho de Siris
Anzu
Uniões
A esposa de Anzud, mencionada no poema de Lugalbanda
Filhos
O filhote de Anzud, alimentado e adornado por Lugalbanda
Genealogia segundo Myth of Anzu (trans. Dalley), Tablet I; Lugalbanda and the Anzud bird (ETCSL 1.8.2.2); English Wikipedia, Anzû
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Fontes e leituras
Fontes primárias
Dalley, Stephanie (trans.), Myths from Mesopotamia: Creation, the Flood, Gilgamesh, and Others, Oxford University Press (text read at Gateways to Babylon). ler
Black, Jeremy A.; Cunningham, Graham; Robson, Eleanor; Zólyomi, Gábor, The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL c.1.8.2.2), University of Oxford. ler
Black, Jeremy A.; Cunningham, Graham; Robson, Eleanor; Zólyomi, Gábor, The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL c.1.6.2), University of Oxford. ler
Black, Jeremy A.; Cunningham, Graham; Robson, Eleanor; Zólyomi, Gábor, The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL c.1.8.1.4), University of Oxford. ler
Black, Jeremy A.; Cunningham, Graham; Robson, Eleanor; Zólyomi, Gábor, The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL c.2.1.7), University of Oxford. ler
Musée du Louvre, Département des Antiquités orientales, AO 2674. ler
Wikipedia contributors, Tell al-'Ubaid. 2026. abrir
Nome e epítetos
O nome sumério é escrito dIM.DUGUD, com o determinativo de ave MUŠEN. IM significa vento e DUGUD significa pesado; o verbete da Wikipédia sobre Anzû glosa imdugud como "vento pesado".
Nas fontes antigas
Mito de Anzu, versão padrão babilônica (Epopeia de Anzu), Primeiro milênio a.C. (versão padrão babilônica, conforme Dalley).
Os mitos
O roubo da Tábua dos Destinos no Mito de Anzu. A versão padrão babilônica do Mito de Anzu, lida aqui na tradução de Stephanie Dalley, abre com louvores a Ninurta, filho de Enlil, que "conquistou Anzu que plana com sua a…
Culto e arqueologia
As fontes abertas nesta revisão não registram um templo ou sacerdócio exclusivo de Imdugud. O que elas mostram é a ave ligada ao culto de Ningirsu, deus de Lagash.
Como era representado
A forma básica é a de uma águia com cabeça de leão, vista de frente, que prende um animal em cada garra. O verbete da Wikipédia sobre Anzû mostra um relevo votivo de alabastro de Ur-Nanshe, rei de Lagash, achado em Girs…
O que os estudiosos discutem
De emblema de Lagash a ladrão da Tábua dos Destinos. Os textos mostram a ave em dois papéis. Na arte e nos textos de Lagash do terceiro milênio a.C., Imdugud é o emblema de Ningirsu e dá nome ao seu templo.
Depois da Antiguidade
A recepção moderna de Anzu começa com a redescoberta das imagens e dos textos. A gravura de Austen Henry Layard, de 1853, que mostra Ninurta perseguindo Anzû, faz parte da Segunda Série de Monuments of Nineveh e é repro…
Você sabia?
Quando a flecha de Ninurta é lançada, Anzu a faz desmontar com uma ordem em quatro partes: a flecha volta ao canavial, o arco ao bosque, a corda às tripas do carneiro e as penas às aves.
Relíquia do Códice
Tábuas Roubadas do Destino. As Tábuas do Destino que arrebatou de Enlil, conferindo-lhe por um tempo o poder sobre o cosmos.
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