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CodexMythologia
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Retrato de Loviatar, divindade finlandesa
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Loviatar

A Mãe das Pragas

Domínio
Doença, Dor e Cegueira
Alinhamento
Caótico e Mau
Elemento
Trevas
Relíquias do Poder
Ninhada das Doenças
Falar com Loviatar

O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Povos fino-bálticos
Região
Finlândia e Báltico
Período
antiguidade – séc. XIX

As divindades finlandesas eram cultuadas pelos povos fino-bálticos das florestas e lagos do norte da Europa. Ligadas à natureza, à caça e à magia das palavras, foram transmitidas oralmente por gerações. No século XIX, Elias Lönnrot reuniu esses cantos no Kalevala, a epopeia nacional da Finlândia.

Os cantores rúnicos transmitiam os mitos em versos cantados ao som do kantele, a cítara sagrada de Väinämöinen. Na festa de Ukon vakat, ofereciam-se bebidas a Ukko pelo trovão e pela boa colheita, e caçadores faziam ritos de desculpa ao espírito do urso abatido.

Em poucas palavras

Loviatar (frequentemente registrada na tradição rúnica como Loveatar, Louhetar, Louhiatar ou Lovetar) é a temível deusa ou donzela primordial do submundo na mitologia finlandesa e carélia, personificando a gênese mítico-etiológica das pragas e dores corporais que afligem a humanidade. Apresentada no Runo XLV do épico Kalevala como a mais velha e nefasta filha do casal regente do além-túmulo, Tuoni e Tuonetar, ela é caracterizada como uma criatura cega, de compleição escura e aparência repulsiva, identificada no verso canônico como 'o princípio de todos os males e de milhares de ruínas' (alku kaikille pahoille, tuhansille turmioille). Ao deitar-se de costas para a ventania em uma charneca aberta e estéril, Loviatar é fecundada pelo sopro gélido do vento tempestuoso do leste. Após longa e penosa gestação sem conseguir parir entre rochedos, montanhas ou corredeiras abrasadoras, ela é instruída por uma voz celeste a buscar refúgio no território setentrional de Pohjola. Ali, a matriarca Louhi a recolhe secretamente em uma cabana de banho fumegante (sauna), untando os gonzos com cerveja fermentada para que não façam ruído e oficiando como parteira. Em uma única noite de verão, Loviatar dá à luz nove filhos cruéis, dos quais oito recebem os nomes das principais moléstias humanas conhecidas pelos povos nórdicos, enquanto o nono filho, deixado sem batismo nominal, é arremessado às águas correntes para transformar-se na essência oculta dos feiticeiros e dos agouros de inveja. No folclore médico tradicional registrado no acervo do SKVR, os cantos da 'Origem das Doenças' (Tautien synty) serviam como instrumento profilático para os xamãs e curandeiros (tietäjät), que recitavam o mito de Loviatar para identificar a raiz do contágio antes de banir as enfermidades para os penhascos de Tuonela.

10 min de leitura · Revisado em 30 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

A cegueira, o vento gélido, a doença e os nove filhos malignos

Família

Pais
Tuoni (o rei soberano do reino subterrâneo de Tuonela) e Tuonetar (a dona das mansões dos mortos)
Irmãos
Filhos e filhas de Tuonela: Tuonen poika (o jovem sombrio de dedos de ferro), Kipu-tyttö / Kivutar (donzela que tritura as dores no rochedo de Kipuvuori), Vammatar (entidade das lesões e chagas físicas) e Tuonen tytti (a barqueira do rio fúnebre)
Loviatar
Uniões
O Vento Tempestuoso do Oriente / Vento Boreal (Iki-Ihtana nos cantos rúnicos, rajada atmosférica que a engravidou na planície despovoada)
Filhos
As Nove Enfermidades (Yhdeksän sairautta): Pistos (pontada aguda / pleurisia), Ähky (cólica convulsiva), Luuvalo (reumatismo e gota), Riisi (raquitismo e atrofia), Paise (furúnculo ulceroso), Rupi (erupção cutânea e sarna), Syöpä (câncer devorador), Rutto (peste fatal) e o nono filho sem nome formal, disperso pelas águas para agir como feitiçaria, praga velada e inveja maléfica (kate, noita)
Genealogia segundo Elias Lönnrot, Kalevala (1849, Runo 45); Elias Lönnrot, Suomen kansan muinaisia loitsurunoja (1880); Christfrid Ganander, Mythologia Fennica (1789); Suomen Kansan Vanhat Runot (SKVR); Uno Harva, Suomalaisten muinaisusko (1948); Martti Haavio, Suomalainen mytologia (1967); Anna-Leena Siikala, Itämerensuomalaisten mytologia (2012)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Lönnrot, Elias (Comp.) & Crawford, John Martin (Trans.), The Kalevala: The Epic Poem of Finland (Runo XLV: Birth of the Nine Diseases). tradução: Edição integral em língua inglesa no Internet Sacred Text Archive. ler
  • Lönnrot, Elias (Comp.) & Crawford, John Martin (Trans.), The Kalevala: The Epic Poem of Finland (1888). tradução: Texto integral arquivado no Projeto Gutenberg (#5186). ler
  • Lönnrot, Elias, Kalevala (1849, Viidesviidettä runo / Runo 45: Louhi, Pohjolan emäntä). tradução: Texto integral original finlandês arquivado no Projeto Runeberg. ler
  • Lönnrot, Elias, Kalevala (1849, Suomen Kansan Kansalliseepos). tradução: Edição digital integral em língua finlandesa no Projeto Gutenberg (#25953). ler
  • Lönnrot, Elias, Suomen kansan muinaisia loitsurunoja (1880, Pahan ja Tautien synty). tradução: Edição digital integral dos encantamentos tradicionais no Projeto Gutenberg (#48751). ler
  • Suomalaisen Kirjallisuuden Seura (SKS), SKVR: Suomen Kansan Vanhat Runot (Base Digital). tradução: Acervo digital da poesia rúnica oral finlandesa e carélia. ler
  • Ganander, Christfrid, Mythologia Fennica (1789, Verbetes Lovetar e Taudit). tradução: Edição digital integral no Projeto Gutenberg (#52445). ler

Estudos

  • Harva, Uno, Suomalaisten muinaisusko. WSOY, Helsinque & Porvoo, 1948. abrir
  • Siikala, Anna-Leena, Itämerensuomalaisten mytologia. Suomalaisen Kirjallisuuden Seura, Helsinque, 2012. abrir
  • Haavio, Martti, Suomalainen mytologia. WSOY, Helsinque, 1967. abrir
  • Pulkkinen, Risto & Lindfors, Stina, Suomalaisen kansanuskon sanakirja. Gaudeamus, Helsinque, 2016. abrir
  • Bonser, Wilfrid, The Mythology of the Kalevala, with Notes on Bear-Worship among the Finns. Folklore, vol. 39, no. 4, pp. 344–358, 1928. abrir
  • Siikala, Anna-Leena et al., Myth and Mentality: Studies in Folklore and Popular Thought. Finnish Literature Society (SKS), Helsinque, 2002. abrir

Nome e epítetos

O teônimo Loviatar e suas variantes dialetais (Loveatar, Louheatar, Lovetar, Lovehetar) possuem raízes linguísticas e conceituais complexas que foram examinadas por filólogos como Kaarle Krohn, Uno Harva e Anna-Leena Si…

Nas fontes antigas

Kalevala (Edição ampliada definitiva de Elias Lönnrot), 1849 d.C.. Texto poético canônico que sistematiza os cantos de enfermidades coligidos pelo autor na Carélia e na Finlândia Oriental.

Os mitos

A Concepção pelo Vento Boreal e a Peregrinação dos Partos Impossíveis. Conforme narra o Runo XLV do Kalevala, Loviatar deitou seu leito sobre uma estrada deserta em terra ingrata, virando as costas diretamente para a ve…

Culto e arqueologia

Na religiosidade tradicional fino-carélia e na prática empírica dos curandeiros rurais, Loviatar não recebia adoração cúltica positiva, altares votivos ou sacrifícios de agradecimento, uma vez que sua essência represent…

Como era representado

No repertório oral e nas descrições poéticas dos cantores rúnicos da Carélia Branca e da Savônia, Loviatar é retratada através de imagens sombrias que expressam desolação e repulsa física.

O que os estudiosos discutem

Fusão Épica versus Distinção Histórica entre Loviatar e Louhi. Um dos principais temas debatidos na etnoliteratura e na filologia balto-fínica diz respeito à delimitação entre Loviatar e Louhi.

Depois da Antiguidade

Na história cultural finlandesa, a figura de Loviatar consolidou-se como o arquétipo definitivo da força destrutiva da doença e da adversidade biológica enfrentada pelas comunidades pioneiras da floresta taiga.

Você sabia?

Na botânica e farmacopeia popular da Carélia, certas plantas medicinais utilizadas para tratar úlceras e erupções cutâneas eram colhidas acompanhadas de versos que desafiavam expressamente o leite amargo e os partos de…

Relíquia do Códice

Ninhada das Doenças. Os nove males que ela deu à luz, espalhando pelo mundo a peste, a febre, a dor e a morte.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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