5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.
Os deuses cananeus eram cultuados pelos povos do Levante, incluindo os fenícios, grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo. Presididos por El e pelo deus da tempestade Baal, eram honrados em cidades como Ugarit, Tiro e Cartago. Seus mitos, redescobertos em tábuas de Ugarit, dialogam de perto com as tradições bíblicas.
O culto seguia o ciclo agrícola de Baal, com festas de outono pedindo as chuvas e lamentos por sua descida ao mundo dos mortos. Os fiéis adoravam nos "altos lugares" (bamot) e em templos urbanos, com estelas de pedra, incenso e sacrifícios de animais.
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Em poucas palavras
Resheph (em eblaíta: 𒀭𒊏𒊓𒀊, Rašap; em ugarítico: 𐎗𐎌𐎔, Rašap ou Rašpu; em fenício: 𐤓𐤔𐤐, Ršp; em hebraico bíblico: רֶשֶׁף, Rešep̄; em egípcio: ršpw) é uma das divindades mais antigas, complexas e amplamente disseminadas do Próximo Oriente Antigo, cuja trajetória documental documentada abrange mais de dois milênios, estendendo-se do terceiro ao primeiro milênio a.C. Identificado inicialmente nos arquivos cuneiformes de Ebla (Síria pré-sargônica, c. 2400 a.C.), Resheph figurava entre os poderes cardeais do panteão real, dispondo de uma porta urbana consagrada em seu nome e templos em povoados como Adanni e Tunip, onde era equiparado sistematicamente ao deus mesopotâmico da guerra e do submundo Nergal. Ao longo do segundo milênio a.C., floresceu como divindade de imensa devoção popular e patrono militar nas cidades-estados de Ugarit e Emar, recebendo epítetos marcantes como 'Resheph do Exército' (ršp ṣbi) e 'Senhor do Mercado' no meio hurrita. Nos textos rituais e médicos de Ras Shamra, atua simultaneamente como causador terrível de epidemias fulminantes — capaz de arrebatar as esposas dos soberanos, como narrado no Épico de Keret — e como poderoso agente apotropaico invocado para neutralizar peçonhas de serpentes e feitiços mortais. Durante o Império Novo egípcio, particularmente sob as Dinastias XVIII e XIX, Resheph foi formalmente assimilado à corte divina faraônica, passando a ser aclamado como protetor guerreiro dos cavalos e carros de guerra reais, ao mesmo tempo em que a piedade popular da vila operária de Deir el-Medina o cultuava como benigno médico divino ('ouvinte de preces') contra dores abdominais e espíritos demoníacos. Na Bíblia Hebraica, o teônimo sofreu desmitologização parcial na teologia javista, transformando-se ora na personificação poética da peste abrasadora que marcha aos pés de Yahweh (Habacuque 3:5), ora em substantivo comum para relâmpagos, labaredas ardentes e flechas de fogo.
10 min de leitura · Revisado em 1 de outubro de 2026 · Como pesquisamos
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Símbolos sagrados
O arco e as flechas, a gazela, o raio e a tocha
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Família
Resheph
Uniões
Adamma (deusa consorte no panteão arcaico de Ebla, com quem recebia oferendas conjuntas em Adanni e Tunip)Qetesh / Qadesh (deusa semítica da fertilidade e beleza, integrada com Resheph e Min na tríade votiva do Egito raméssida)
Genealogia segundo Arquivos administrativos de Ebla (século XXIV a.C., tábuas reais e vocabulário VE 806); Textos rituais, médicos e literários de Ugarit (RS 12.061, RS 19.013, RS 24.247+, Épico de Keret KTU 1.14 I, encantamentos KTU 1.100 e KTU 1.107); Inscrições reais e privadas do Império Novo egípcio (Estela de Amenófis II em Gizé, templo de Amon em Karnak, estelas votivas de Deir el-Medina); Inscrição bilíngue lúvio-fenícia de Karatepe (KAI 26); Inscrições fenícias e bilíngues cipriotas de Idálion e Kition (CIS I 89–95); Textos poéticos da Bíblia Hebraica (Habacuque 3:5; Deuteronômio 32:24; Salmos 78:48; Jó 5:7; Cântico dos Cânticos 8:6); William J. Fulco (1976); Izak Cornelius (1994); Maciej M. Münnich (2013); Paolo Xella (1979); Michael P. Streck (2006)
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Fontes e leituras
Fontes primárias
Escribas Reais de Ebla & Alfonso Archi, Textos Cuneiformes Administrativos e Vocabulário de Ebla: O Culto de Rašap e a Equivalência com Nergal (VE 806). tradução: Edição crítica dos tabletes de Tell Mardikh e documentação acadêmica no portal Wikipedia. ler
Ilimilku de Shubanu & Escribas de Ras Shamra, Tabletes Cuneiformes Rituais e Mitológicos de Ugarit: O Épico de Keret e o Guarda Solar de Shapash (KTU 1.14 I; RS 12.061). tradução: Mission de Ras Shamra e catálogo textual no portal Wikipedia. ler
Escribas Faraônicos do Império Novo & Artesãos de Deir el-Medina, Estelas Votivas e Inscrições Reais de Resheph, Qetesh e Min (Estela de Gizé e Acervo do Museu de Turim). tradução: Catálogo do Museu Egípcio de Turim e documentação iconográfica no portal Wikipedia. ler
Azatiwada de Danunim & Escribas Reais, Inscrição Monumental Bilíngue Lúvio-Hieroglífica e Fenícia de Karatepe (KAI 26). tradução: Corpus Inscriptionum Semiticarum e documentação epigráfica no portal Wikipedia. ler
Escribas Bíblicos de Israel e Judá, Texto Massorético da Bíblia Hebraica: Poesia Arcaica e Teofania Bélica (Habacuque 3:5; Deuteronômio 32:24; Salmos 78:48). tradução: Edição crítica da Sociedade Bíblica e comentários hebraicos no portal Wikipedia. ler
Estudos
Münnich, Maciej M., The God Resheph in the Ancient Near East. Mohr Siebeck, 2013. abrir
Fulco, William J., The Canaanite God Rešep. American Oriental Society, 1976. abrir
Cornelius, Izak, The Iconography of the Canaanite Gods Reshef and Ba'al: Late Bronze and Iron Age I Periods (c 1500–1000 BCE). Universitätsverlag Freiburg / Vandenhoeck & Ruprecht, 1994. abrir
Xella, Paolo, Le dieu Rashap à Ugarit. Annali dell'Istituto Orientale di Napoli, 1979. abrir
Streck, Michael P., Reschep. Reallexikon der Assyriologie und Vorderasiatischen Archäologie, De Gruyter, 2006. abrir
Equipe Editorial do Projeto Enciclopédico Wikimedia, Verbete Resheph: O Deus da Guerra e da Peste no Antigo Oriente Próximo. Wikimedia Foundation, 2026. abrir
Nome e epítetos
O teônimo semítico ocidental Resheph tem sua etimologia tradicionalmente ancorada na raiz triconsonantal r-š-p, cujo campo semântico nas línguas semíticas norte-ocidentais evoca 'inflamar', 'arder em febre', 'centelha'…
Nas fontes antigas
Arquivos Cuneiformes Reais de Ebla, Século XXIV a.C. (c. 2400–2300 a.C.). Documentação mais recuada da divindade, registrando o portão urbano de Ebla dedicado a Rasap, seus santuários em Adanni e Tunip e sua equivalênci…
Os mitos
O Guardião do Crepúsculo Solar e o Signo Celeste de Marte. Na tradição cosmológica de Ugarit conservada no tablete RS 12.061, Resheph é proclamado com o título solene de porteiro e guardião da deusa solar Shapash (ršp ṯ…
Culto e arqueologia
O culto a Resheph ostentou extraordinária versatilidade e adaptação geográfica ao longo de mais de vinte séculos.
Como era representado
A iconografia de Resheph consolidou-se como uma das mais emblemáticas da arte levantina e egípcia da Idade do Bronze Recente e do Ferro.
O que os estudiosos discutem
. No campo da história e filologia do Antigo Oriente, a figura de Resheph ensejou intensos debates acadêmicos. Um dos pontos mais debatidos concerne à etimologia primordial de seu nome e ao seu perfil funcional original…
Depois da Antiguidade
Embora a teologia monoteísta bíblica tenha banido o culto formal aos deuses do panteão levantino, a memória de Resheph sobreviveu de modo fascinante na história cultural e na literatura religiosa ocidental.
Você sabia?
A equivalência entre Resheph e o deus grego Apolo em Chipre deveu-se à identidade de seus atributos essenciais: ambos eram arqueiros divinos capazes de disparar flechas invisíveis portadoras de peste contagiosa contra e…
Relíquia do Códice
Arco das Flechas Ardentes. O arco com que dispara a peste e a febre, mas que também pode proteger quem o venera.
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