5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.
Os deuses cananeus eram cultuados pelos povos do Levante, incluindo os fenícios, grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo. Presididos por El e pelo deus da tempestade Baal, eram honrados em cidades como Ugarit, Tiro e Cartago. Seus mitos, redescobertos em tábuas de Ugarit, dialogam de perto com as tradições bíblicas.
O culto seguia o ciclo agrícola de Baal, com festas de outono pedindo as chuvas e lamentos por sua descida ao mundo dos mortos. Os fiéis adoravam nos "altos lugares" (bamot) e em templos urbanos, com estelas de pedra, incenso e sacrifícios de animais.
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Em poucas palavras
Mot (em ugarítico: 𐎎𐎚, Môtu; em hebraico bíblico: מָוֶת, Māweṯ; em fenício: 𐤌𐤕, Mūt) é a divindade semítica ocidental da morte inevitável, da esterilidade, da seca estival e do reino ctônico subterrâneo. Figura proeminente na segunda metade do Ciclo de Baal descoberto nas tabuletas cuneiformes de Ras Shamra (Ugarit, séculos XIV–XII a.C.), Mot encarna as forças da dissolução que ameaçam periodicamente a fecundidade do mundo habitado. Titulado pelo patriarca celeste El como ydd il ("Predileto de El") e binu ʾilīma Môtu ("O Divino Filho dos Deuses, Motu"), sua morada localiza-se na cidade subterrânea de Hmry ("Lodaçal"), onde seu trono assenta-se sobre poços de imundície e decomposição. Ao contrário dos demais deuses que se saciam com sacrifícios de pão e libações de vinho, Mot possui apetite insaciável comparado ao dos leões nos ermos desérticos e à voracidade dos monstros marinhos: sua goela prodigiosa possui lábios gigantescos, sendo o inferior firmado na terra e o superior tocando os céus, enquanto sua língua lambe as estrelas. No enredo dramático do Ciclo de Baal, ele exige a submissão incondicional do deus tempestuoso Baal-Hadad e traga-o para as profundezas infernais, provocando o ressecamento da vegetação e o luto amargo de El e Anat. Após sete anos míticos, a deusa donzela Anat localiza Mot, fende seu corpo com espada, joeira seus pedaços em crivos de cereais, queima seus restos no fogo e mói seus ossos sob mós de moinho, espalhando os fragmentos pelos campos para as aves famintas. Revivido na regeneração cíclica do cosmo, Mot trava duelo corporal feroz com Baal nos cumes do monte Saphon até que a deusa solar Shapshu adverte-o de que El destronará seu poder caso persista no combate, forçando o monarca do submundo a capitular e reconhecer a realeza perene de Baal.
9 min de leitura · Revisado em 1 de outubro de 2026 · Como pesquisamos
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Símbolos sagrados
As fauces abertas, o calor abrasador, a terra rachada e o silêncio
Genealogia segundo Ciclo de Baal de Ugarit (tabletes KTU 1.4 VIII, KTU 1.5 I–VI, KTU 1.6 I–VI); História Fenícia de Filão de Biblos / Sanchuniathon (preservada em Eusébio, Praeparatio Evangelica I.9–10); Textos Bíblicos Hebraicos (Habacuque 2:5; Jó 18:13; Isaías 28:15; Jeremias 9:21); Umberto Cassuto (1962); John C. L. Gibson (1978); Mark S. Smith (1994, 2002); Nicolas Wyatt (2002)
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Fontes e leituras
Fontes primárias
Escribas de Ras Shamra & Virolleaud, Charles, Ciclo de Baal de Ugarit (Tabletes cuneiformes KTU 1.4 VIII, KTU 1.5 e KTU 1.6 do Museu do Louvre). tradução: Edição crítica, transcrição cuneiforme e documentação no portal Wikipedia. ler
Sanchuniathon & Filão de Biblos (trad. Eusébio de Cesareia), História Fenícia / Teogonia de Biblos (fragmentos de Praeparatio Evangelica Livro I, caps. 9–10). tradução: Texto clássico preservado sobre Muth, Tânato e Plutão no portal Wikipedia. ler
Escribas Bíblicos de Judá, Textos Hebraicos Proféticos sobre a Personificação da Morte (Jeremias 9:21; Habacuque 2:5; Jó 18:13). tradução: Códice Massorético e estudos filológicos no portal Wikipedia. ler
Estudos
Equipe Editorial do Projeto Enciclopédico Wikimedia, Verbete Mot (deus): A Morte no Panteão Cananeu, Textos de Ugarit e Registro Semítico. Wikimedia Foundation, 2026. abrir
Spar, Ira & Equipe Curatorial do Metropolitan Museum of Art, The Gods and Goddesses of Canaan. The Met's Heilbrunn Timeline of Art History, 2023. abrir
Cassuto, Umberto, Baal and Mot in the Ugaritic Texts. Israel Exploration Journal, vol. 12, no. 2, 1962. abrir
Nome e epítetos
O teônimo Môtu deriva diretamente do substantivo comum proto-semítico *mawt- ("morte"), conservado com rigor em todas as ramificações da família linguística afro-asiática (árabe mawt, aramaico mōtā, hebraico māweṯ, acad…
Nas fontes antigas
Ciclo de Baal de Ras Shamra (Tabletes KTU 1.4 VIII, KTU 1.5 e KTU 1.6), séculos XIV a XII a.C.. Relato épico e teológico fundamental detalhando a intimação enviada a Baal, a deglutição do deus da tempestade, a vingança…
Os mitos
A Intimação de Hmry e a Deglutição de Baal (KTU 1.4 VIII – KTU 1.5). Após consumar a ereção de seu palácio grandioso no cume do monte Saphon, Baal-Hadad decide desafiar os limites do cosmos e envia seus mensageiros Gupa…
Culto e arqueologia
Ao contrário das divindades provedoras da realeza, das colheitas e da fertilidade, Motu não possuía templos públicos instituídos, sacerdócios cívicos regulares nem sacrifícios litúrgicos oficiais na cidade de Ugarit ou…
Como era representado
A iconografia de Motu nas tabuletas ugaríticas é caracterizada pela ênfase na fisionomia anatômica monstruosa e desmedida de sua boca voraz.
O que os estudiosos discutem
Interpretação Sazonal Agrária versus Drama Existencial Cósmico. A historiografia das religiões debate se o combate entre Baal e Motu reflete primariamente o ciclo agrícola anual da seca de verão no Mediterrâneo oriental…
Depois da Antiguidade
O estudo crítico de Motu adquiriu dimensão acadêmica revolucionária a partir da década de 1930 com as publicações pioneiras de Charles Virolleaud e René Dussaud sobre as tabuletas de Ras Shamra.
Você sabia?
Na língua hebraica bíblica e no hebraico moderno, a palavra comum para morte é môt / māweṯ, mantendo rigorosamente a mesma raiz lexical que dava nome ao deus cananeu do submundo há mais de três milênios.
Relíquia do Códice
Fauces do Submundo. As mandíbulas colossais que se estendem do céu à terra para engolir vivos e deuses.
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