5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.
Os deuses cananeus eram cultuados pelos povos do Levante, incluindo os fenícios, grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo. Presididos por El e pelo deus da tempestade Baal, eram honrados em cidades como Ugarit, Tiro e Cartago. Seus mitos, redescobertos em tábuas de Ugarit, dialogam de perto com as tradições bíblicas.
O culto seguia o ciclo agrícola de Baal, com festas de outono pedindo as chuvas e lamentos por sua descida ao mundo dos mortos. Os fiéis adoravam nos "altos lugares" (bamot) e em templos urbanos, com estelas de pedra, incenso e sacrifícios de animais.
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Em poucas palavras
Asherah é, ao mesmo tempo, o nome de uma deusa e uma palavra hebraica cujo significado os especialistas ainda disputam. Em Ugarit, cidade da costa síria, os textos alfabéticos em escrita cuneiforme chamam-na Athirat (ʾaṯrt) e a apresentam como esposa e companheira do deus El e como mãe dos deuses; Lemaire (2024, §3.5) resume essa posição com o título qnyt ʾilm, “criadora dos deuses”, e com a associação ao mar (ʾaṯrt ym). No Ciclo de Baal, ela é quem recebe os presentes do deus da tempestade e de Anat e, depois, intercede junto a El para que Baal ganhe um palácio. Já na Bíblia Hebraica a palavra ʾăšērâ aparece sobretudo como um objeto de culto plantado ou erguido ao lado de altares, ao lado de pilares de pedra (maṣṣēbôt) e de santuários nas colinas (bāmôt). A lei de Deuteronômio 16:21 proíbe plantar “uma asherah, qualquer árvore” junto ao altar de Yahweh, e os livros dos Reis narram como reis de Judá e de Israel a ergueram, e como Ezequias e Josias a destruíram. Duas inscrições do século VIII a.C., uma de Kuntillet Ajrud, no Sinai, e outra de Khirbet el-Qom, na Judeia, abençoam alguém “por Yahweh e por sua asherah”. Essa fórmula levou muitos estudiosos a ver ali uma deusa consorte de Yahweh; outros, como André Lemaire, leem um objeto ou um bosque sagrado ligado ao santuário de Yahweh, e outros ainda entendem a palavra como “santuário”. Esta ficha não escolhe um lado: mostra o que cada fonte abre, cita cada afirmação e marca onde a evidência termina.
18 min de leitura · Revisado em 14 de outubro de 2026 · Como pesquisamos
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Símbolos sagrados
A árvore sagrada, o poste de madeira, o leão e o mar
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Família
Asherah
Uniões
El (deus supremo de Ugarit; Lemaire descreve Athirat como sua paredra e mãe dos deuses)Yahweh (associação debatida: as inscrições de Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom ligam a asherah a Yahweh, mas Lemaire a lê como árvore ou bosque, não como deusa)
Filhos
Os filhos e parentes de Athirat, por quem ela teme, no Ciclo de Baal (tradução de Ginsberg, ANET), que tenham se matado entre si; mais adiante no ciclo aparecem como inimigos de Baal
Genealogia segundo Lemaire 2024 (Jerusalem Journal of Archaeology 7); Ginsberg em ANET (Ciclo de Baal); catálogo Ugaritic Texts do WSRP; Sefaria (Êxodo, Deuteronômio, Juízes, Reis, Crônicas, Jeremias); Robertson Smith 1894; Wikipédia, Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom
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Fontes e leituras
Fontes primárias
H. L. Ginsberg (trad.), em J. B. Pritchard (ed.), Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament, 3ª ed. (Ugaritic Myths, Epics, and Legends). tradução: Tradução inglesa do Ciclo de Baal e da Lenda de Keret. ler
Escribas de Ugarit, Ugaritic Texts (catálogo/catalogue). tradução: Catálogo de textos ugaríticos do West Semitic Research Project. ler
Tradição massorética, Tanakh (Êxodo, Deuteronômio, Juízes, Reis, Crônicas, Jeremias). tradução: Texto hebraico com tradução inglesa na Sefaria. ler
Tradução King James (1611), The Holy Bible, King James Version. tradução: Bíblia King James, texto integral. ler
Gravadores de Khirbet el-Kom e Kuntillet Ajrud, Inscrições hebraicas (Uriyahu; pithoi). tradução: Inscrição de Khirbet el-Kom e de Kuntillet Ajrud discutidas por Lemaire. ler
Estudos
André Lemaire, Judahite Hebrew Epigraphy and Cult. Jerusalem Journal of Archaeology 7, 2024. abrir
W. Robertson Smith, Lectures on the Religion of the Semites. A. & C. Black (Internet Archive), 1894. abrir
A forma ugarítica do nome é ʾaṯrt, convencionalmente lida Athirat, e aparece em fórmulas como “Athirat do mar” (ʾaṯrt ym) e “Athirat dos tírios”, esta última ligada à Lenda de Keret (Lemaire 2024, §3.5).
Nas fontes antigas
Ciclo de Baal (tabuletas KTU 1.1–1.6), Ugarit, segundo milênio a.C.. Fonte principal da imagem de Athirat como rainha-mãe do panteão, intercessora de Baal e conselheira de El.
Os mitos
O palácio de Baal e a mediação de Athirat (Ciclo de Baal, tabuleta 4). Na tradução de Ginsberg (ANET), Baal envia mensageiros a Anat para que ela o acompanhe numa visita a Athirat, “Senhora Athirat do Mar”, a “Genitora…
Culto e arqueologia
O culto de Athirat em Ugarit só pode ser descrito a partir do que o Ciclo de Baal e as listas de oferendas deixam ver.
Como era representado
A iconografia de Asherah é incerta. As imagens mais citadas vêm de Kuntillet Ajrud, onde os grandes jarros (pithoi) trazem desenhos de animais, árvores estilizadas e figuras humanas, algumas das quais podem representar…
O que os estudiosos discutem
Deusa, árvore, poste ou santuário? As quatro leituras de ʾšrh. Lemaire (2024, §3.5) resume as quatro propostas para o termo.
Depois da Antiguidade
A recepção de Asherah passou por três momentos que as fontes abertas permitem reconstruir. Primeiro, tradutores antigos e comentadores tradicionais a entenderam como árvore ou bosque: a Septuaginta usou alsos, a Mishná…
Você sabia?
A Bíblia King James, disponível no Projeto Gutenberg, usa “grove” (bosque) em dezenas de passagens, entre elas Êxodo 34:13, Juízes 3:7 e 6:25–30, e Deuteronômio 16:21.
Relíquia do Códice
Poste Sagrado. A árvore ou poste de madeira erguido em sua honra, símbolo da vida que brota e do ventre fecundo.
O resto deste pergaminho está selado
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