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Retrato de Asherah, divindade cananeia
Cananeus
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Asherah

A Mãe dos Deuses

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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Cananeus e fenícios
Região
Levante (Síria, Líbano, Israel)
Período
c. 3000 – 300 a.C.

Os deuses cananeus eram cultuados pelos povos do Levante, incluindo os fenícios, grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo. Presididos por El e pelo deus da tempestade Baal, eram honrados em cidades como Ugarit, Tiro e Cartago. Seus mitos, redescobertos em tábuas de Ugarit, dialogam de perto com as tradições bíblicas.

O culto seguia o ciclo agrícola de Baal, com festas de outono pedindo as chuvas e lamentos por sua descida ao mundo dos mortos. Os fiéis adoravam nos "altos lugares" (bamot) e em templos urbanos, com estelas de pedra, incenso e sacrifícios de animais.

Em poucas palavras

Asherah é, ao mesmo tempo, o nome de uma deusa e uma palavra hebraica cujo significado os especialistas ainda disputam. Em Ugarit, cidade da costa síria, os textos alfabéticos em escrita cuneiforme chamam-na Athirat (ʾaṯrt) e a apresentam como esposa e companheira do deus El e como mãe dos deuses; Lemaire (2024, §3.5) resume essa posição com o título qnyt ʾilm, “criadora dos deuses”, e com a associação ao mar (ʾaṯrt ym). No Ciclo de Baal, ela é quem recebe os presentes do deus da tempestade e de Anat e, depois, intercede junto a El para que Baal ganhe um palácio. Já na Bíblia Hebraica a palavra ʾăšērâ aparece sobretudo como um objeto de culto plantado ou erguido ao lado de altares, ao lado de pilares de pedra (maṣṣēbôt) e de santuários nas colinas (bāmôt). A lei de Deuteronômio 16:21 proíbe plantar “uma asherah, qualquer árvore” junto ao altar de Yahweh, e os livros dos Reis narram como reis de Judá e de Israel a ergueram, e como Ezequias e Josias a destruíram. Duas inscrições do século VIII a.C., uma de Kuntillet Ajrud, no Sinai, e outra de Khirbet el-Qom, na Judeia, abençoam alguém “por Yahweh e por sua asherah”. Essa fórmula levou muitos estudiosos a ver ali uma deusa consorte de Yahweh; outros, como André Lemaire, leem um objeto ou um bosque sagrado ligado ao santuário de Yahweh, e outros ainda entendem a palavra como “santuário”. Esta ficha não escolhe um lado: mostra o que cada fonte abre, cita cada afirmação e marca onde a evidência termina.

18 min de leitura · Revisado em 14 de outubro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

A árvore sagrada, o poste de madeira, o leão e o mar

Família

Asherah
Uniões
El (deus supremo de Ugarit; Lemaire descreve Athirat como sua paredra e mãe dos deuses)Yahweh (associação debatida: as inscrições de Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom ligam a asherah a Yahweh, mas Lemaire a lê como árvore ou bosque, não como deusa)
Filhos
Os filhos e parentes de Athirat, por quem ela teme, no Ciclo de Baal (tradução de Ginsberg, ANET), que tenham se matado entre si; mais adiante no ciclo aparecem como inimigos de Baal
Genealogia segundo Lemaire 2024 (Jerusalem Journal of Archaeology 7); Ginsberg em ANET (Ciclo de Baal); catálogo Ugaritic Texts do WSRP; Sefaria (Êxodo, Deuteronômio, Juízes, Reis, Crônicas, Jeremias); Robertson Smith 1894; Wikipédia, Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • H. L. Ginsberg (trad.), em J. B. Pritchard (ed.), Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament, 3ª ed. (Ugaritic Myths, Epics, and Legends). tradução: Tradução inglesa do Ciclo de Baal e da Lenda de Keret. ler
  • Escribas de Ugarit, Ugaritic Texts (catálogo/catalogue). tradução: Catálogo de textos ugaríticos do West Semitic Research Project. ler
  • Tradição massorética, Tanakh (Êxodo, Deuteronômio, Juízes, Reis, Crônicas, Jeremias). tradução: Texto hebraico com tradução inglesa na Sefaria. ler
  • Tradução King James (1611), The Holy Bible, King James Version. tradução: Bíblia King James, texto integral. ler
  • Gravadores de Khirbet el-Kom e Kuntillet Ajrud, Inscrições hebraicas (Uriyahu; pithoi). tradução: Inscrição de Khirbet el-Kom e de Kuntillet Ajrud discutidas por Lemaire. ler

Estudos

  • André Lemaire, Judahite Hebrew Epigraphy and Cult. Jerusalem Journal of Archaeology 7, 2024. abrir
  • W. Robertson Smith, Lectures on the Religion of the Semites. A. & C. Black (Internet Archive), 1894. abrir
  • Wikipedia, Kuntillet Ajrud. Wikipedia, 2026. abrir
  • Wikipedia, Khirbet el-Qom. Wikipedia, 2026. abrir

Nome e epítetos

A forma ugarítica do nome é ʾaṯrt, convencionalmente lida Athirat, e aparece em fórmulas como “Athirat do mar” (ʾaṯrt ym) e “Athirat dos tírios”, esta última ligada à Lenda de Keret (Lemaire 2024, §3.5).

Nas fontes antigas

Ciclo de Baal (tabuletas KTU 1.1–1.6), Ugarit, segundo milênio a.C.. Fonte principal da imagem de Athirat como rainha-mãe do panteão, intercessora de Baal e conselheira de El.

Os mitos

O palácio de Baal e a mediação de Athirat (Ciclo de Baal, tabuleta 4). Na tradução de Ginsberg (ANET), Baal envia mensageiros a Anat para que ela o acompanhe numa visita a Athirat, “Senhora Athirat do Mar”, a “Genitora…

Culto e arqueologia

O culto de Athirat em Ugarit só pode ser descrito a partir do que o Ciclo de Baal e as listas de oferendas deixam ver.

Como era representado

A iconografia de Asherah é incerta. As imagens mais citadas vêm de Kuntillet Ajrud, onde os grandes jarros (pithoi) trazem desenhos de animais, árvores estilizadas e figuras humanas, algumas das quais podem representar…

O que os estudiosos discutem

Deusa, árvore, poste ou santuário? As quatro leituras de ʾšrh. Lemaire (2024, §3.5) resume as quatro propostas para o termo.

Depois da Antiguidade

A recepção de Asherah passou por três momentos que as fontes abertas permitem reconstruir. Primeiro, tradutores antigos e comentadores tradicionais a entenderam como árvore ou bosque: a Septuaginta usou alsos, a Mishná…

Você sabia?

A Bíblia King James, disponível no Projeto Gutenberg, usa “grove” (bosque) em dezenas de passagens, entre elas Êxodo 34:13, Juízes 3:7 e 6:25–30, e Deuteronômio 16:21.

Relíquia do Códice

Poste Sagrado. A árvore ou poste de madeira erguido em sua honra, símbolo da vida que brota e do ventre fecundo.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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