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Retrato de Jano, divindade romana
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Romanos

Jano

O Deus das Duas Faces

Domínio
Começos, Portais e Tempo
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Neutro Puro
Elemento
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Relíquias do Poder
Chave e Bastão dos Portais
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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Romanos
Região
Roma e o Império Romano
Período
séc. VIII a.C. – IV d.C.

Os romanos cultuavam seus deuses como guardiões do Estado, do lar e da guerra, identificando muitos deles com divindades gregas. O culto oficial era conduzido por colégios de sacerdotes e pelo próprio imperador, com templos no coração de Roma. Sua religião acompanhou a expansão do Império por toda a Europa, o Norte da África e o Oriente Médio.

A Saturnália de dezembro invertia papéis sociais em dias de banquetes e presentes, e a Lupercália purificava a cidade em fevereiro. As virgens vestais guardavam o fogo sagrado de Vesta, e os generais vitoriosos desfilavam em triunfo até o templo de Júpiter Capitolino.

Em poucas palavras

Jano (em latim: Ianus) é uma das divindades mais originais e veneráveis da religião romana arcaica, não possuindo qualquer equivalente ou correspondente no panteão grego helênico. Venerado como o deus primordial de todas as transições, começos, términos, portais (ianuae), passagens abobadadas (iani) e ciclos temporais, Jano personifica a passagem liminar entre o passado e o futuro, o interior e o exterior, a paz e a guerra. Sua fisionomia singular com dois rostos opostos (Janus Bifrons ou Geminus) concede-lhe a capacidade onisciente de contemplar simultaneamente o que ficou para trás e o que desponta à frente. Na teologia litúrgica de Roma, cabia a Jano a precedência ritual absoluta (prima invocatio): nenhuma prece cívica, sacrifício público ou cerimônia solene dedicada a qualquer outra divindade — incluindo o próprio Júpiter Ótimo Máximo — podia iniciar-se sem que Jano fosse invocado e agraciado em primeiro lugar com libações de vinho e oferendas do bolo sagrado ianual, visto que apenas ele possuía as chaves celestes capazes de abrir as portas dos céus para que os deuses acolhessem as súplicas dos mortais. O epicentro de sua liturgia cívica situava-se no santuário do Ianus Geminus, pequeno templo quadrangular de bronze localizado no Argileto, na entrada nordeste do Fórum Romano, tradicionalmente atribuído ao rei Numa Pompílio. Suas portas de bronze permaneciam escancaradas durante todo o período em que as legiões de Roma estivessem engajadas em campanhas de guerra no exterior, funcionando como um conduto místico para a proteção militar divina, e só eram ritualmente cerradas quando reinasse paz completa em todas as províncias e fronteiras dominadas pelo Estado romano. O primeiro mês do calendário civil romano reformado, Janeiro (Ianuarius), foi consagrado a ele como a porta de entrada sagrada do novo ano solar, momento no qual os novos cônsules e magistrados tomavam posse sob seus auspícios inaugurais.

10 min de leitura · Revisado em 1 de outubro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

As duas faces, a chave, o bastão e o arco da porta

Família

Jano
Uniões
Carna (ninfa das dobradiças e protetora dos umbrais, presenteada por Jano com o poder sobre os gonzos)Juturna ou Camise (tradições itálicas arcaicas apontadas por autores antiquários e poetas como mãe de Fontus)
Filhos
Fontus (deus das nascentes e poços sagrados, celebrado na festa da Fontinalia)
Genealogia segundo Ovídio (Fastos I.63–288, VI.101–130; Metamorfoses XIV.775–804); Lívio (Ab Urbe Condita I.19, VIII.9); Varrão (De Lingua Latina V.165, VII.26–27); Cícero (De Natura Deorum II.67); Virgílio (Eneida VII.601–622, VIII.357); Horácio (Sátiras II.6.20); Macróbio (Saturnalia I.7, I.9); Plínio (Naturalis Historia XXXIV.33); Augusto (Res Gestae 13); Dumézil (1970); Holland (1961); Coarelli (1983)

Fontes e leituras

Fontes primárias

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Estudos

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Nome e epítetos

O teônimo latino Ianus deriva da raiz verbal proto-indo-europeia *h₁ey- ou *ei- ('ir', 'caminhar', 'passar'), da qual provém diretamente o verbo latino ire ('ir').

Nas fontes antigas

Fastos (Fasti), c. 8 d.C.. Ovídio apresenta um diálogo com Jano descrevendo sua natureza bifronte, o papel cósmico no Ano Novo, a erupção de água fervente contra os sabinos e o mito de Carna. Ab Urbe Condita, c.

Os mitos

A Torrente Fervente do Argileto e a Repulsão dos Sabinos. Conforme relatam Ovídio no Livro I dos Fastos (versos 259–276) e no Livro XIV das Metamorfoses (versos 775–804), bem como Macróbio nas Saturnalia (I.9.17–18), du…

Culto e arqueologia

A liturgia consagrada a Jano ocupava uma posição estrutural fundadora na religião do Estado romano. Em razão do dogma da prima invocatio, todo sacrifício oficial, juramento público ou ato dos magistrados começava obriga…

Como era representado

A arte romana desenvolveu para Jano um cânone visual inconfundível, centrado na anatomia bifronte (Janus Bifrons).

O que os estudiosos discutem

. O debate historiográfico e antropológico moderno sobre Jano foi profundamente moldado pela análise estrutural de Georges Dumézil em Archaic Roman Religion (1970).

Depois da Antiguidade

O legado simbólico e visual de Jano permanece amplamente arraigado na cultura, na ciência e no vocabulário mundial.

Você sabia?

O fechamento das portas de bronze do Templo de Jano no Argileto era uma façanha tão extraordinária na história romana que, nos mais de setecentos anos transcorridos entre o reinado de Numa Pompílio e o governo de August…

Relíquia do Códice

Chave e Bastão dos Portais. A chave que abre e fecha as portas do tempo, da guerra e de todo novo começo.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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