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Retrato de Juno, divindade romana
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Juno

A Protetora de Roma

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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Romanos
Região
Roma e o Império Romano
Período
séc. VIII a.C. – IV d.C.

Os romanos cultuavam seus deuses como guardiões do Estado, do lar e da guerra, identificando muitos deles com divindades gregas. O culto oficial era conduzido por colégios de sacerdotes e pelo próprio imperador, com templos no coração de Roma. Sua religião acompanhou a expansão do Império por toda a Europa, o Norte da África e o Oriente Médio.

A Saturnália de dezembro invertia papéis sociais em dias de banquetes e presentes, e a Lupercália purificava a cidade em fevereiro. As virgens vestais guardavam o fogo sagrado de Vesta, e os generais vitoriosos desfilavam em triunfo até o templo de Júpiter Capitolino.

Em poucas palavras

Juno (em latim clássico Iuno Regina, em latim arcaico Iuno) é a majestosa deusa romana da soberania celestial, do matrimônio cívico, da fertilidade das matronas e da proteção suprema da comunidade política de Roma. Integrante máxima da Tríade Capitolina ao lado de seu consorte Júpiter e de Minerva, Juno exerceu uma das influências mais profundas e multifacetadas na religião romana antiga. Sob o aspecto de Iuno Regina ('Rainha Juno'), representava a dignidade régia do Estado: seu culto mais célebre foi introduzido em Roma pelo ditador Marco Fúrio Camilo em 396 a.C. mediante o rito solene da evocatio, cerimônia religiosa pela qual a divindade tutelar da cidade etrusca de Veios foi solenemente convidada a abandonar a cidade sitiada e transferir sua morada eterna para o Monte Aventino em Roma, onde a estátua de madeira da deusa aceitou o chamado com um aceno miraculoso. Como Iuno Moneta ('A que Adverte' ou 'Aconselheira'), seu templo erguia-se na Cidadela (Arx) do Monte Capitolino, local célebre pelo episódio histórico de 390 a.C. relatado por Tito Lívio, quando os gansos sagrados mantidos em seu santuário despertaram os defensores romanos liderados por Marco Mânlio durante um assalto noturno dos gauleses de Breno; nas vizinhanças desse mesmo templo foi instalada posteriormente a oficina pública de cunhagem de moedas de prata de Roma, da qual deriva o vocábulo moderno 'moeda'. Sob a invocação de Iuno Lucina ('A que Traz à Luz'), Juno regia os partos e a saúde dos recém-nascidos em seu antigo bosque sagrado no Monte Esquilino, celebrada pelas matronas casadas no dia 1º de março na tradicional festa das Matronalia. Sob o título militar de Iuno Sospita ('A Preservadora'), venerada originalmente na cidade latina de Lanúvio, a deusa envergava uma pele de cabra sobre a cabeça e empunhava lança e escudo oval bilobado, protegendo os guerreiros em combate. Na Eneida de Virgílio, Juno personifica a grandiosa força adversária que retarda e testa a perseverança de Eneias, até que, no Livro XII, celebra um pacto glorioso com Júpiter que garante a preservação perpétua da língua, dos costumes e da honra do povo latino.

8 min de leitura · Revisado em 30 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

O cetro, o pavão, o diadema e o ganso

Família

Pais
Saturno (deus primordial das colheitas e da semeadura) e Ops (divindade itálica da abundância agrária e dos frutos da terra)
Irmãos
Júpiter (irmão e consorte soberano no Monte Capitolino), Netuno (senhor das águas marinhas), Plutão (rei das profundezas subterrâneas), Ceres (nutridora das searas) e Vesta (senhora do fogo da lareira pública)
Juno
Uniões
Júpiter Optimus Maximus (com quem partilha a governança do universo e a soberania da Tríade Capitolina)
Filhos
Marte (deus romano das guerras e guardião dos campos), Vulcano (mestre do fogo e dos artifícios do metal) e Lucina (ou Juventas, personificação da juventude cívica)
Genealogia segundo Tito Lívio, Ab Urbe Condita (V.21–22, V.47, VII.28, XXVII.37); Varrão, De Lingua Latina (V.67, VI.27); Ovídio, Fastos (III.229–258, VI.1–100); Cícero, De Natura Deorum (I.84, II.66); Virgílio, Eneida (I.4–49, VII.286–322, XII.808–842); Festo, De Verborum Significatu; Robert E. A. Palmer, The Archaic Community of the Romans (1970); Jacqueline Champeaux, Fortuna (1982); Kurt Latte, Römische Religionsgeschichte (1960)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Tito Lívio (Titus Livius), Ab Urbe Condita (Livro V, 21–22 e 47: a evocação de Juno em Veios e o alarme dos gansos capitolinos). tradução: Tito Lívio: História de Roma, tradução por Paulo Matos Peixoto (Editora Paumape).
  • Públio Ovídio Naso, Fastos (Livro III, 229–258 e Livro VI, 1–100: a festa das Matronalia e a origem do mês de Junho). tradução: Ovid: Fasti, bilingual edition and commentary by Anne Wiseman and Peter Wiseman (Oxford World's Classics).
  • Públio Virgílio Marão, Eneida (Livros I, VII e XII: a oposição de Juno e sua reconciliação final). tradução: Virgílio: Eneida, tradução em verso por Carlos Alberto Nunes (Editora 34).
  • Marco Terêncio Varrão, De Lingua Latina (Livros V e VI: etimologias e cultos de Juno Lucina). tradução: Varro: On the Latin Language, tradução por Roland G. Kent (Loeb Classical Library).

Estudos

  • Robert E. A. Palmer, The Archaic Community of the Romans. Cambridge University Press, 1970.
  • Kurt Latte, Römische Religionsgeschichte. München: C.H. Beck, 1960.
  • Mary Beard, John North & Simon Price, Religions of Rome. Cambridge University Press, 1998.
  • Jacqueline Champeaux, Fortuna: Recherches sur le culte de la Fortune à Rome et dans le monde romain. Rome: École Française de Rome, 1982.

Nome e epítetos

O teônimo latino Iuno (genitivo Iunonis) remonta linguisticamente à base itálica arcaica *juwen-k-, derivada da raiz proto-indo-europeia *h₂yuh₁en- ('jovem', 'dotado de vitalidade vigorosa e juventude florescente', da q…

Nas fontes antigas

Ab Urbe Condita (Tito Lívio), C. 27–9 a.C.. Documento histórico primordial atestando os momentos fundacionais do culto público de Juno em Roma. Fastos (Ovídio), 8 d.C..

Os mitos

A Evocação Sagrada de Veios e a Transferência da Rainha Divina. Conforme narra Tito Lívio no Livro V de sua monumental história Ab Urbe Condita, após dez longos anos de cerco imposto pelas legiões romanas à opulenta cid…

Culto e arqueologia

O culto a Juno possuía múltiplas facetas institucionais, sacerdotais e comunitárias que permeavam a vida cotidiana e cívica da sociedade romana.

Como era representado

A representação artística de Juno na estatuária e na numismática romana expressa dignidade régia, autoridade materna e compostura solene.

O que os estudiosos discutem

A Juno Itálica Plural versus a Assimilação Mitológica à Hera Grega. Especialistas na história da religião antiga, como Kurt Latte e Georges Dumézil, analisam o abismo teológico que separa a Juno itálica original da Hera…

Depois da Antiguidade

Juno exerceu fascínio permanente na pintura renascentista e barroca, retratada por mestres como Peter Paul Rubens (O Nascimento da Via Láctea e Juno e Argos), Rembrandt e Giovanni Battista Tiepolo, acompanhada por seus…

Você sabia?

O mês de Junho (Iunius) do calendário ocidental foi diretamente batizado em honra de Juno, considerada pelo poeta Ovídio no Livro VI dos Fastos como a patrona suprema do mês mais propício e auspicioso para a celebração…

Relíquia do Códice

Cetro da Realeza. Um cetro que simboliza sua autoridade sobre o casamento, o Estado e as matronas romanas.

O resto deste pergaminho está selado

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