Pular para o conteúdo
CodexMythologia
Voltar ao Códice
Retrato de Ashur, divindade mesopotâmica
Mesopotâmicos
Toque ou arraste
Mesopotâmicos

Ashur

O Deus Nacional da Assíria

Domínio
Império, Guerra e Soberania
Alinhamento
Leal e Neutro
Elemento
Fogo
Relíquias do Poder
Disco Alado do Império
Falar com Ashur

O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Sumérios, acádios e babilônios
Região
Mesopotâmia (atual Iraque)
Período
c. 3500 – 500 a.C.

Os deuses mesopotâmicos eram cultuados pelos sumérios, acádios, babilônios e assírios na terra entre o Tigre e o Eufrates, berço da escrita e das cidades. Cada urbe erguia um zigurate ao seu deus patrono, servido por uma poderosa casta de sacerdotes. Seus mitos, como o Enuma Elish e a Epopeia de Gilgamesh, estão entre os mais antigos do mundo.

O festival de Akitu abria o ano novo com procissões pela Via Sacra da Babilônia, e o rito do casamento sagrado unia simbolicamente Inanna e Dumuzi para garantir a fertilidade. Lamentações, hinos e adivinhação pelo fígado de animais marcavam a vida religiosa diária.

Em poucas palavras

Ashur (em escrita cuneiforme: 𒀭𒊹, dA-šur ou dAn-šár; em acadiano: Aššur; vocalizado no hebraico bíblico como Asshur, אַשּׁוּר) é o deus nacional supremo, a personificação numinosa do território e o soberano cósmico incontestável do Império Assírio ao longo de mais de dois milênios de história mesopotâmica. Diferente da maioria das grandes divindades do panteão mesopotâmico meridional — como Anu, Enlil, Ea ou Shamash, cujos atributos derivavam de forças cosmogônicas da natureza ou corpos astrais abstratos —, Ashur nasceu intimamente fundido a um sítio geográfico preciso: a imponente escarpa rochosa natural e promontório elevado sobranceiro à margem direita do rio Tigre, onde foi fundada a veneranda cidade de Assur (atual sítio arqueológico de Qal'at Sherqat, no norte do Iraque). Em sua concepção religiosa mais antiga, manifesta nos arquivos comerciais paleoassírios do início do segundo milênio a.C. descobertos em Kültepe (antiga Kanesh, na Anatólia), Ashur não era compreendido como um mero membro da assembleia divina suméria, mas como o verdadeiro e único Rei (šarru) da cidade-estado, enquanto o governante humano assumia com profunda humildade o encargo meramente administrativo e sacerdotal de išši'ak Aššur (correspondente ao título sumério arcaico énsi, o vigário, governador ou mordomo terrestre do deus). Esta concepção de realeza teocrática absoluta converteu-se na espinha dorsal ideológica de todo o Estado assírio. À medida que o reino médio-assírio e, posteriormente, o colossal Império Neoassírio expandiram suas fronteiras militares do Golfo Pérsico ao Egito e aos montes Taurus, a teologia de Ashur passou por transformações sistemáticas e monumentais para acompanhar a escala de suas conquistas: absorveu em sua figura a autoridade soberana cósmica de Enlil (adotando seu epíteto supremo de bēl mātāti, 'Senhor das Terras', o seu grande templo E-hursag-kurkurra, 'Casa da Montanha das Terras', sua augusta esposa Ninlil/Mullissu e seu filho heróico Ninurta). Mais tarde, sob os monarcas da dinastia sargônida — de forma paradigmática sob o reinado de Senaqueribe —, a inteligência teológica de Nínive e Assur operou uma ousada e engenhosa revolução conceitual ao assimilar graficamente e ontologicamente o teônimo de Ashur ao antigo deus sumério primordial Anshar (𒀭𒊹, An-šár, 'A Totalidade dos Céus'). Por meio desse jogo esotérico de sinais cuneiformes, Ashur passou a ser posicionado acima de Marduk e de todas as divindades babilônicas, sendo redigida uma versão imperial assíria do poema cosmogônico Enūma Eliš, na qual Ashur/Anshar ascende em sua carruagem de combate celestial, aniquila o monstro marinho caótico Tiamat, molda o firmamento e a terra a partir de seus despojos e empunha a Tábua dos Destinos cósmicos. Longe de ser um culto meramente local, Ashur personificava o próprio destino imperial: suas campanhas bélicas não eram justificadas pela cobiça secular, mas como uma ordem sagrada de pacificação universal (māt Aššur ruppušu, 'ampliar as fronteiras da terra de Ashur'), na qual rebeldes e violadores de tratados não eram apenas inimigos políticos, mas criminosos perjuros sacrílegos que haviam violado os juramentos sagrados prestados diante da augusta face de Ashur.

21 min de leitura · Revisado em 3 de outubro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

O disco solar alado, o arco, o estandarte de guerra e a coroa de chifres

Família

Pais
Autóctone na teologia nativa arcaica da cidade de Assur (personificação divina da colina rochosa primordial sobre o rio Tigre, sem linhagem genealógica prévia)Lahmu e Lahamu (progenitores cósmicos de Anshar na cosmogonia do Enūma Eliš, adotados formalmente quando Ashur foi assimilado a Anshar)
Irmãos
Kishar (Ki-šar, personificação do horizonte terrestre e contraparte cósmica de Anshar no Enūma Eliš)
Ashur
Uniões
Mullissu / Mulliltu (a forma fonética assíria da deusa suméria Ninlil, senhora do Ekur, atribuída a Ashur quando este assumiu a soberania de Enlil)Sherua / Šērūa (deusa da alvorada e da luz resplandecente, venerada como sua consorte tradicional no templo E-šarra em Assur)Ishtar de Arbela e Ishtar de Nínive (deusas guerreiras e proféticas intimamente vinculadas a Ashur como garantidoras celestes da realeza assíria)
Filhos
Ninurta (o valoroso guerreiro e campeão dos deuses, integrado como filho de Ashur na transferência da teologia enlilita para Assur)Zababa (deus guerreiro de Kish cultuado como filho bélico de Ashur no panteão imperial)
Genealogia segundo Ritual da Coroação Real Assíria (VAT 09583 + VAT 09936 + VAT 09978; SAA 20 007); A Redação Assíria do Enūma Eliš sob Senaqueribe (CT 13, 24–25; edição da redação ainda não cotejada; SAA 3 34 é o Marduk Ordeal, não a redação cosmogônica); Os Tratados de Vassalagem de Assarhaddon (SAA 2 6); O Banquete Sagrado dos Deuses / Ritual Tākultu (R. Frankena, 1954); O Épico de Tukulti-Ninurta (P. Machinist, 1978); Inscrições Reais Neoassírias (RINAP 1–5: Assurnasirpal II, Salmaneser III, Sargão II, Senaqueribe, Assarhaddon e Assurbanípal); Estela de Zarriqum e Arquivos Comerciais de Kültepe (KTS / CCT); Beate Pongratz-Leisten (2015); Simo Parpola (1997, 2004); Barbara Nevling Porter (2003); Wilfred G. Lambert (1980, 2013); Jeremy Black & Anthony Green (1992); Karen Radner (2015).

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Karl Friedrich Müller, Das assyrische Krönungsritual (Mitteilungen der Vorderasiatisch-Aegyptischen Gesellschaft 41/3). tradução: Edição crítica e transliteração filológica dos rituais régios assírios.
  • Peter Machinist, The Tukulti-Ninurta Epic (Dissertação de Doutorado, Yale University). tradução: Edição crítica e comentário histórico-teológico cuneiforme. ler
  • Simo Parpola & Kazuko Watanabe, Neo-Assyrian Treaties and Loyalty Oaths (State Archives of Assyria 2). tradução: Edição filológica dos tratados e juramentos estatais de lealdade (Adê). ler
  • Rients Frankena, Tākultu: De sacrale maaltijd in het assyrische ritueel. tradução: Estudo monográfico dos textos litúrgicos do banquete sagrado de Assur.
  • Raija Mattila, Miscellaneous Assyrian Administrative and Ritual Texts (State Archives of Assyria 20). tradução: Documentação cuneiforme de arquivos cúlticos e cerimoniais de Assur. ler
  • A. Kirk Grayson, Assyrian Rulers of the Early First Millennium BC (RIMA 2). tradução: Edição das inscrições reais assírias do primeiro milênio a.C.. ler
  • State Archives of Assyria Online, SAA20 007, Royal Coronation Ritual. tradução: Edição transliterada e tradução digital ORACC. ler
  • State Archives of Assyria Online, SAA20 007, Royal Coronation Ritual. tradução: Edição transliterada e tradução digital ORACC. ler

Estudos

  • Beate Pongratz-Leisten, Religion and Ideology in Assyria (Studies in Ancient Near Eastern Records 6). De Gruyter, 2015. abrir
  • Wilfred G. Lambert, An-šár / Aššur (Zeitschrift für Assyriologie und Vorderasiatische Archäologie, vol. 70). De Gruyter, 1980. abrir
  • Simo Parpola, Assyrian Prophecies (State Archives of Assyria 9). Helsinki University Press, 1997. abrir
  • Barbara Nevling Porter, Trees, Kings, and Politics: Studies in Assyrian Iconography and Ideology (Orbis Biblicus et Orientalis 197). Vandenhoeck & Ruprecht, 2003.
  • Jeremy Black & Anthony Green, Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia: An Illustrated Dictionary. British Museum Press, 1992.
  • Karen Radner, Ancient Assyria: A Very Short Introduction. Oxford University Press, 2015. abrir

Nome e epítetos

O teônimo cuneiforme Ashur (frequentemente grafado dA-šur, dA-šùr ou dAš-šur em períodos pré-sargônicos e médio-assírios) constitui uma das mais singulares identidades onomásticas do Próximo Oriente Antigo, caracterizan…

Nas fontes antigas

Ritual da Coroação Real Assíria, Séculos XIII–VII a.C. (tradição médio e neoassíria).. Documento litúrgico fundamental que prescreve passo a passo o ingresso do rei no templo de Ashur, a unção com óleos sagrados, a coro…

Os mitos

A Batalha Cosmogônica de Ashur contra Tiamat e a Criação do Mundo. Na magnífica releitura teológica sargônida da criação cósmica, corporificada na célebre redação assíria do poema Enūma Eliš, o palco primordial das orig…

Culto e arqueologia

O culto a Ashur foi o sustentáculo espiritual, litúrgico e político de toda a história assíria, concentrando-se de forma indelével na cidade sagrada de Assur.

Como era representado

A iconografia sagrada de Ashur apresenta um dos desenvolvimentos artísticos mais fascinantes e debatidos de toda a história da arte do Próximo Oriente Antigo.

O que os estudiosos discutem

Natureza Originária e Ausência de Mitologia Nativa. O estudo assiriológico de Ashur tem sido palco de controvérsias sobre a natureza originária da divindade: teria Ashur sido originariamente uma força numinosa estritame…

Depois da Antiguidade

A recepção histórica e cultural da figura de Ashur reflete as dramáticas vicissitudes de ascensão, hegemonia e colapso do mais formidável império guerreiro da Antiguidade Oriental.

Você sabia?

Ao contrário de praticamente todas as monarquias antigas da Mesopotâmia e do Egito, os reis assírios do período paleoassírio nunca usavam o título de rei (šarru) em sua própria capital; em seus sinetes oficiais e docume…

Relíquia do Códice

Disco Alado do Império. Um disco solar alado de onde o deus dispara o arco, abençoando os exércitos assírios na guerra.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

Ver o Codex PROBaixar na Google Play

Do mesmo panteão

Ver panteão