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Retrato de Marmoo, divindade aborígene
Aborígenes
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Aborígenes

Marmoo

O Espírito do Mal

Domínio
Mal, Inveja e Pragas
Alinhamento
Caótico e Mau
Elemento
Trevas
Relíquias do Poder
Enxame Devorador
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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Aborígenes australianos
Região
Austrália
Período
há 65.000 anos – presente

Os seres ancestrais do Tempo do Sonho são reverenciados pelos aborígenes australianos, possivelmente a cultura contínua mais antiga da Terra. Acredita-se que esses seres criaram a paisagem, as leis e a vida durante o Sonho. Suas histórias são guardadas em pinturas rupestres, cantos e rituais transmitidos por dezenas de milênios.

Nos corroborees, cantos e danças corporais pintadas reencenam as jornadas dos ancestrais do Sonho. As songlines, trilhas de canto, mapeiam o território sagrado de memória, e locais como Uluru permanecem santuários vivos sob guarda de seus povos tradicionais.

Em poucas palavras

Marmoo é uma entidade espiritual malévolo e destruidora que atua como o principal antagonista em narrativas cosmogônicas dos povos aborígenes do sudeste da Austrália, especialmente nas tradições orais preservadas em Nova Gales do Sul associadas ao ciclo do Grande Espírito criador Baiame. Conforme documentado pelo pesquisador A. W. Reed e recontado pela educadora e contadora tradicional indígena Pauline McLeod, Marmoo personifica o ressentimento cósmico e a inveja corrosiva diante da ordem da criação. Quando Baiame concluiu a modelagem da terra habitável — denominada nas línguas da região pelo vocábulo tradicional Tya —, estabelecendo rios caudalosos, colinas verdejantes, planícies floridas e florestas frondosas, Marmoo observou a obra com ciúme amargo. Incapaz de conceber a beleza harmoniosa da vida silvestre, retirou-se para conspirar em segredo ao lado de sua esposa. Em covis subterrâneos ocultos, Marmoo utilizou seus poderes sombrios para moldar legiões de insetos nocivos e rastejantes: besouros vorazes, lagartas, gafanhotos devastadores, moscas e vermes que perfuravam troncos e folhagens. Ao soprar sobre eles o fôlego da animação destrutiva, lançou essas pragas colossais sobre a terra. Em pouco tempo, as nuvens de insetos escureceram o firmamento e desceram vorazmente sobre os campos verdejantes, devorando gramíneas, desfolhando copas arbóreas e roendo a casca dos eucaliptos. O mundo fecundo transformou-se subitamente em uma paisagem estéril, cinzenta e tomada pelo odor fétido da putrefação vegetal. Diante da desolação iminente de Tya, Baiame buscou o auxílio da benevolente mãe espiritual Nungeena, guardiã oculta em uma cascata montanhosa. Respondendo ao chamado do Criador, Nungeena e seus espíritos elementares plasmaram todas as variedades de aves, às quais Baiame concedeu cantos melodiosos e plumagens vistosas. Enviadas sobre os enxames inimigos, as aves devoraram as hordas rastejantes de Marmoo, libertando o solo da peste. Despeitado com o triunfo das aves, Marmoo arquitetou um novo ardil ardiloso: tentou persuadi-las a cantar ininterruptamente do alvorecer ao crepúsculo para que negligenciassem a edificação de seus ninhos e a postura de ovos, extinguindo sua linhagem. Embora a esmagadora maioria das espécies tenha rejeitado a insídia, os cucos acolheram a bajulação de Marmoo e tornaram-se parasitas reprodutivos, depositando seus ovos nos ninhos alheios após lançarem fora a ninhada alheia.

9 min de leitura · Revisado em 29 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

Os insetos, a praga, a sombra e a podridão

Família

Marmoo
Uniões
Esposa de Marmoo (figura mencionada nas narrativas tradicionais de Nova Gales do Sul como confidente de suas queixas contra o Criador)
Genealogia segundo A. W. Reed, Myths and Legends of Australia (1965, pp. 29–33); Pauline McLeod, Gadi Mirrabooka: Australian Aboriginal Tales from the Dreaming (2001, cap. 28)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Reed, Alexander Wyclif (A. W. Reed), Myths and Legends of Australia (Chapter: 'The Creation of the Birds', pp. 29–33). tradução: Sydney: A. H. and A. W. Reed, 1965. ler
  • McLeod, Pauline E.; Firebrace, Francis; Barker, June & McKay, Helen F. (ed.), Gadi Mirrabooka: Australian Aboriginal Tales from the Dreaming (Chapter 28: 'Marmoo and Biamee: A Creation Story from New South Wales', pp. 85–88). tradução: Westport: Libraries Unlimited / Greenwood Publishing Group, 2001. ler
  • Parker, K. Langloh, Australian Legendary Tales: Folk-lore of the Noongahburrahs as told to the Piccaninnies. tradução: London: David Nutt, 1896. ler
  • Parker, K. Langloh, The Euahlayi Tribe: A Study of Aboriginal Life in Australia. tradução: London: Archibald Constable and Company, 1905. ler
  • Ridley, Rev. William, Kámilarói, and other Australian Languages. tradução: Sydney: Thomas Richards, Government Printer, 1875. ler

Estudos

  • Lindemans, Micha F., Marmoo. Encyclopedia Mythica, 2001. abrir
  • Lindemans, Micha F., Nungeena. Encyclopedia Mythica, 2004. abrir
  • Macquire, Kelly, Dreamtime. World History Encyclopedia, 2025. abrir
  • Study.com, Australian Mythology | Gods, Legends & Folklore. Study.com, 2023. abrir
  • Bloomsbury Publishing, Gadi Mirrabooka: Australian Aboriginal Tales from the Dreaming (Overview & Catalog). Bloomsbury Academic, 2001. abrir

Nome e epítetos

O teônimo Marmoo foi fixado graficamente na literatura etnográfica e nas antologias folclóricas australianas a partir de transcrições colhidas em comunidades autóctones de Nova Gales do Sul durante o século XX.

Nas fontes antigas

Myths and Legends of Australia, 1965 d.C.. Compilação clássica de A. W. Reed que registra a narrativa detalhada do ataque de Marmoo com pragas de insetos sobre Tya, a intercessão de Nungeena e o engano dos cucos.

Os mitos

A Conspiração do Invejoso e a Praga dos Insetos Devoradores. Nas eras inaugurais do Tempo do Sonho, o Grande Espírito Baiame desceu dos céus para conferir ordem, relevo e formosura à terra informe.

Culto e arqueologia

Na cosmovisão dos povos indígenas do sudeste da Austrália, figuras espirituais malévolas como Marmoo nunca foram objeto de culto votivo, sacrifícios propiciatórios ou templos organizados.

Como era representado

A tradição mitológica oral retrata Marmoo através de uma imagética grotesca associada à sombra, à corrupção da matéria e às forças subterrâneas deletérias.

O que os estudiosos discutem

. No campo dos estudos de folclore comparado e antropologia australiana, a narrativa de Marmoo suscita discussões teóricas relevantes sobre o processo de registro e adaptação de tradições orais indígenas por compiladore…

Depois da Antiguidade

Na cultura contemporânea, a história de Marmoo e Biamee ocupa lugar de destaque em coletâneas educativas sobre o Tempo do Sonho, sendo utilizada em programas escolares australianos para ensinar ecologia, preservação de…

Você sabia?

O mito de Marmoo e os cucos constitui um dos mais notáveis exemplos de etiologia zoológica aborígene, demonstrando que os povos indígenas observaram com exatidão científica e milenar o comportamento de parasitismo de ni…

Relíquia do Códice

Enxame Devorador. A praga de insetos que criou da inveja para destruir a vida moldada pelo criador.

O resto deste pergaminho está selado

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