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Retrato de Anjea, divindade aborígene
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5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Aborígenes australianos
Região
Austrália
Período
há 65.000 anos – presente

Os seres ancestrais do Tempo do Sonho são reverenciados pelos aborígenes australianos, possivelmente a cultura contínua mais antiga da Terra. Acredita-se que esses seres criaram a paisagem, as leis e a vida durante o Sonho. Suas histórias são guardadas em pinturas rupestres, cantos e rituais transmitidos por dezenas de milênios.

Nos corroborees, cantos e danças corporais pintadas reencenam as jornadas dos ancestrais do Sonho. As songlines, trilhas de canto, mapeiam o território sagrado de memória, e locais como Uluru permanecem santuários vivos sob guarda de seus povos tradicionais.

Em poucas palavras

Anjea é uma entidade espiritual ancestral fundamental na cosmologia e ontologia reprodutiva dos povos indígenas Nggerikudi (Yupngayth ou Yupungathi), habitantes tradicionais da foz e bacia do rio Pennefather, no litoral ocidental da península do Cabo York, extremo norte de Queensland, Austrália. Documentada detalhadamente pelo médico e etnógrafo britânico Walter E. Roth no início do século XX e posteriormente analisada por clássicos da teoria antropológica como James George Frazer e Émile Durkheim, a tradição oral ensina que Anjea é um ser invisível aos olhos dos vivos que preside a gênese das crianças e a circulação transgeracional das almas. Conforme o pensamento Nggerikudi, a concepção humana não é interpretada como resultado mecânico estritamente biológico do intercurso carnal, mas sim como obra demiúrgica espiritual: Anjea molda os bebês a partir do barro úmido e da areia ribeirinha e os introduz no ventre das futuras mães. Quando o parto ocorre, uma fração vital da alma da criança — denominada choi — permanece vinculada à placenta (an-jii). Os parentes enterram zelosamente a placenta nas dunas fluviais, assinalando o esconderijo com gravetos dispostos em cone. Ao passar pelo local, Anjea resgata essa parcela anímica e a deposita em esconderijos sagrados da natureza (troncos ocos, fendas rochosas ou lagoas de água doce), onde ela aguarda durante anos até o falecimento do indivíduo, momento em que Anjea recupera o choi para confeccionar uma nova criança, assegurando a imortalidade e a reencarnação perpétua dos membros do clã.

7 min de leitura · Revisado em 29 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

O barro, o cordão umbilical, o pântano e a árvore

Família

Anjea
Filhos
As crianças espirituais da tribo (moldadas no barro por Anjea e animadas com a essência choi preservada da placenta)
Genealogia segundo Walter E. Roth, North Queensland Ethnography: Bulletin No. 5 (1903); James George Frazer, The Golden Bough (1911) and The Belief in Immortality (1913); Bronislaw Malinowski (1913); Émile Durkheim (1912)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Roth, Walter E., Superstition, Magic, and Medicine (North Queensland Ethnography, Bulletin No. 5). tradução: Brisbane: Government Printer, 1903 (reprinted in Records of the Australian Museum). ler
  • Hey, Rev. Nicholas & Roth, Walter E., An Elementary Grammar of the Nggerikudi Language (North Queensland Ethnography, Bulletin No. 6). tradução: Brisbane: Government Printer, 1903. ler
  • Frazer, Sir James George, The Golden Bough: A Study in Magic and Religion (Part 1: The Magic Art and the Evolution of Kings, Vol. 1). tradução: London: Macmillan and Co., 1911. ler
  • Frazer, Sir James George, The Belief in Immortality and the Worship of the Dead (Vol. 1: The Belief Among the Aborigines of Australia). tradução: London: Macmillan and Co., 1913. ler

Estudos

  • Malinowski, Bronislaw, The Family among the Australian Aborigines: A Sociological Study. London: University of London Press, 1913. abrir
  • Durkheim, Émile, The Elementary Forms of the Religious Life. London: George Allen & Unwin, 1915. abrir
  • Róheim, Géza, The Eternal Ones of the Dream: A Psychoanalytic Interpretation of Australian Myth and Ritual. New York: International Universities Press, 1945. abrir
  • Isaacs, Jennifer, Australian Dreaming: 40,000 Years of Aboriginal History. Sydney: Lansdowne Press, 1980. abrir

Nome e epítetos

O teônimo Anjea provém diretamente do idioma nggerikudi, língua originária pertencente à subfamília Paman falada historicamente pelos clãs da bacia do rio Pennefather (ao norte da atual localidade de Weipa).

Nas fontes antigas

North Queensland Ethnography, Bulletin No. 5: Superstition, Magic, and Medicine, 1903. Walter E. Roth publica o relatório de campo pioneiro registrando o mito de Anjea, a deposição da placenta e o conceito de choi no ri…

Os mitos

A Fabricação da Criança de Barro e a Implantação no Ventre. De acordo com os depoimentos recolhidos por Walter Roth junto aos Nggerikudi, a geração de uma nova vida humana inicia-se quando Anjea decide recolocar um espí…

Culto e arqueologia

O culto e as práticas rituais associadas a Anjea diferem das cerimônias públicas com danças vistosas e exibição de máscaras.

Como era representado

Ao contrário de outros seres míticos australianos que figuram profusamente em murais rupestres ou pranchas rituais esculpidas, Anjea é descrita nas fontes primárias como estritamente imaterial e invisível aos olhos huma…

O que os estudiosos discutem

. O registro do mito de Anjea por Walter E. Roth gerou extensos debates teóricos na sociologia e antropologia do século XX acerca da ignorância ou não da paternidade fisiológica entre os aborígenes australianos.

Depois da Antiguidade

Na antropologia acadêmica contemporânea e nos estudos de gênero e espiritualidade indígena, a figura de Anjea é amplamente revisitada para demonstrar a complexidade das teorias indígenas de personhood (noção de pessoa)…

Você sabia?

No folclore médico e comparativo global, a crença na conservação da alma na placenta através de Anjea é frequentemente citada por obstetras e historiadores das ciências como um dos mais sofisticados exemplos ancestrais…

Relíquia do Códice

Cordão Umbilical da Terra. O elo entre o recém-nascido e o solo, guardado em segredo para preservar a alma que retorna à terra.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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