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Retrato de Wandjina, divindade aborígene
Aborígenes
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Aborígenes

Wandjina

Os Espíritos das Nuvens

Domínio
Chuva, Nuvens e Fertilidade
Alinhamento
Leal e Neutro
Elemento
Água
Relíquias do Poder
Halo de Raios e Chuva
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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Aborígenes australianos
Região
Austrália
Período
há 65.000 anos – presente

Os seres ancestrais do Tempo do Sonho são reverenciados pelos aborígenes australianos, possivelmente a cultura contínua mais antiga da Terra. Acredita-se que esses seres criaram a paisagem, as leis e a vida durante o Sonho. Suas histórias são guardadas em pinturas rupestres, cantos e rituais transmitidos por dezenas de milênios.

Nos corroborees, cantos e danças corporais pintadas reencenam as jornadas dos ancestrais do Sonho. As songlines, trilhas de canto, mapeiam o território sagrado de memória, e locais como Uluru permanecem santuários vivos sob guarda de seus povos tradicionais.

Em poucas palavras

Wandjina (grafado igualmente sob a ortografia vernácula moderna Wanjina) designa o coletivo dos ancestrais criadores supremos, espíritos regentes das nuvens, das chuvas torrenciais e da fertilidade na cosmologia dos povos indígenas Worrorra, Ngarinyin (Ungarinyin) e Wunambal na região de Kimberley, noroeste da Austrália Ocidental. No período criacional imemorial denominado Lalai (o Tempo da Criação ou Sonho ancestral), esses seres viajavam pelas extensões territoriais moldando as escarpas de arenito, as bacias fluviais, as ilhas litorâneas e estabelecendo as normas cerimoniais e de parentesco do território tribal (Country). Ao completarem suas tarefas ordenadoras no mundo físico, cada Wandjina fixou residência perpétua nos abrigos rochosos enquanto o relevo ainda se encontrava úmido e maleável, transferindo sua silhueta e sombra espiritual para as paredes de pedra, enquanto seu princípio vital ingressava nos mananciais perenes ou ascendia ao céu. O traço iconográfico mais distintivo dos Wandjina é a representação facial sem boca: segundo os detentores tradicionais da lei de Kimberley, essa ausência protege a terra contra dilúvios fatais ininterruptos que afogariam a criação caso pudessem abrir os lábios para liberar as águas celestes. Paralelamente, os Wandjina mantêm estreita correlação teológica com a Serpente do Arco-Íris aquática subterrânea, conhecida localmente como Wunggurr ou Ungud, compondo uma díade cosmológica que articula as águas do firmamento e os lençóis freáticos terrestres. O retoque ou repintura ritualística periódica desses painéis de arte rupestre pelos anciãos de cada linhagem clânica constitui uma obrigação ontológica indispensable para reativar o ciclo das chuvas da monção de verão e a reprodução de toda a biota regional.

7 min de leitura · Revisado em 29 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

O rosto sem boca, o halo de raios, as nuvens e a monção

Família

Pais
Wallanganda (o supremo senhor celeste dos Wandjina personificado na Via Láctea)
Wandjina
Genealogia segundo Ian M. Crawford, The Art of the Wandjina (1968); A. P. Elkin, The Australian Aborigines (1938); David Mowaljarlai & Jutta Malnic, Yorro Yorro (1993); Valda Blundell & Donny Woolagoodja, Keeping the Wanjinas Fresh (2005)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Grey, Sir George, Journals of Two Expeditions of Discovery in North-West and Western Australia, During the Years 1837, 38, and 39. tradução: London: T. and W. Boone, 1841. ler
  • Elkin, Adolphus Peter, The Rainbow-Serpent Myth in North-West Australia. tradução: Oceania 1(3), pp. 349–352, 1930. ler
  • Elkin, Adolphus Peter, The Australian Aborigines: How to Understand Them. tradução: Sydney: Angus and Robertson, 1938. ler
  • Crawford, Ian M., The Art of the Wandjina: Aboriginal Cave Paintings in Kimberley, Western Australia. tradução: Melbourne: Oxford University Press, 1968. ler
  • Lommel, Andreas, The Unambal: A Tribe in Northwest Australia (Die Unambal: ein Stamm in Nordwest-Australien). tradução: Hamburg: Museum für Völkerkunde, 1952. ler

Estudos

  • Mowaljarlai, David & Malnic, Jutta, Yorro Yorro: Everything Standing Up Alive: Spirit of the Kimberley. Broome: Magabala Books, 1993. abrir
  • Blundell, Valda & Woolagoodja, Donny, Keeping the Wanjinas Fresh: Sam Woolagoodja and the enduring power of Lalai. Fremantle: Fremantle Arts Centre Press, 2005. abrir
  • Porr, Martin & Bell, Hannah R., Country and Relational Ontology in the Kimberley, Northwest Australia: Implications for Understanding and Representing Archaeological Evidence. Cambridge Archaeological Journal, 28(3), pp. 395–409, 2018. abrir
  • Ward, Graeme K., Mowaljarlai, David & Vinnicombe, Patricia, What are Wandjina? In The Archaeology of Rock Art in Western Arnhem Land, Australia. Canberra: ANU Press, 2011. abrir

Nome e epítetos

O teônimo e substantivo coletivo Wandjina (Wanjina na convenção ortográfica contemporânea adotada pelas comunidades de Mowanjum) integra o vocabulário sagrado da família linguística worrorrana, falada pelos grupos étnic…

Nas fontes antigas

Journals of Two Expeditions of Discovery in North-West and Western Australia, 1841. Sir George Grey registra a primeira observação e esboço europeu de pinturas rupestres de Wandjina nas proximidades do rio Glenelg em ma…

Os mitos

O Desrespeito à Coruja Dumby e o Grande Dilúvio. Conforme o mito paradigmático registrado por Ian Crawford em 1968 e reiterado pelas lideranças Ngarinyin em Yorro Yorro, duas crianças caçaram uma pequena coruja sagrada…

Culto e arqueologia

A prática religiosa em torno dos Wandjina centraliza-se na cerimônia de retoque e renovação pictórica (repainting) executada nos abrigos rochosos do planalto de Kimberley.

Como era representado

A figuração plástica dos Wandjina ostenta um perfil formal altamente codificado e único na arte parietal aborígene da Austrália.

O que os estudiosos discutem

. O exame histórico e antropológico dos Wandjina desfez mitos colonialistas difusionistas que circulavam desde o século XIX.

Depois da Antiguidade

Nas últimas décadas, a herança espiritual e visual dos Wandjina transformou-se no esteio fundamental da afirmação identitária e jurídica dos povos da federação Wanjina-Wunggurr.

Você sabia?

A representação e o uso indevido das imagens de Wandjina fora do contexto tradicional suscitaram intensos litígios legais e debates sobre a apropriação cultural de conhecimentos indígenas na Austrália.

Relíquia do Códice

Halo de Raios e Chuva. A auréola de raios e nuvens que circunda seus rostos sem boca, de onde brotam a tempestade e a monção.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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