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Retrato de Sedna, divindade nativa americana
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Sedna

A Mãe do Mar

Domínio
Mar, Caça e Subsistência
Alinhamento
Neutro
Elemento
Água
Relíquias do Poder
Cabelos das Profundezas
Falar com Sedna

O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Povos nativos americanos
Região
América do Norte
Período
pré-colonial – presente

Estes espíritos e divindades eram cultuados pelos diversos povos nativos da América do Norte, dos lakotas aos navajos e iroqueses. Suas crenças ligam o ser humano ao Grande Espírito, aos animais totêmicos e ao equilíbrio com a terra. Transmitidas oralmente, sobrevivem nas nações indígenas que resistiram à colonização.

A Dança do Sol reunia as nações das planícies em jejum e sacrifício ao redor da árvore sagrada. Os hopi dançam com os kachinas, espíritos mascarados das chuvas, e o cachimbo sagrado sela preces e tratados — cerimônias que seguem vivas nas nações atuais.

Em poucas palavras

Sedna (vertida dialectalmente nos dialetos inuktitut orientais como Sanna, e reverenciada sob os nomes sagrados Nuliajuk entre os Netsilik e Takannaaluk na região de Iglulik) é a divindade suprema e temida senhora das profundezas oceânicas na cosmologia e vida religiosa dos povos Inuit. Conforme os testemunhos etnográficos pioneiros registrados pelo antropólogo Franz Boas na Ilha de Baffin e pelo explorador Knud Rasmussen durante a Quinta Expedição Thule, Sedna foi originariamente uma jovem caçadora que recusava pretendentes humanos até ser seduzida pelo canto engenhoso de um petrel-glacial (fulmar) disfarçado de nobre caçador. Levada para uma ilha inóspita e confinada a um ninho de penas fétido, Sedna foi resgatada por seu pai a bordo de um barco de peles (umiaq). Furiosa, a ave provocou uma tormenta marinha colossal agitando as asas sobre as ondas. Tomado por desespero cego ante o naufrágio iminente, o pai atirou a filha às águas revoltas; quando ela se agarrou desesperadamente à borda da embarcação, ele decepou sucessivamente as falanges de seus dedos com uma faca de osso. Das pontas dos dedos nasceram as focas-aneladas (netseq), das segundas articulações surgiram as focas-barbudas (ugjuk) e das palmas e nós restantes emergiram as morsas e grandes baleias boreais. Tragada pelo abismo gélido, Sedna passou a reinar no fundo do mar (Adlivun), onde habita uma morada ladeada por um cão feroz. Quando os caçadores humanos violam tabus de subsistência (aglerneq) e regras fúnebres ou menstruais, as impurezas morais se transmutam em sujeira espessa e parasitas emaranhados em seus cabelos. Por não possuir dedos para desembaraçar as tranças, Sedna enfurece-se e aprisiona os animais marinhos em seu aposento subterrâneo, lançando a fome sobre os acampamentos. O equilíbrio ecológico do Ártico dependia estritamente da coragem do xamã (angakuq), que entrava em transe cataléptico para empreender uma perigosa viagem espiritual ao fundo do oceano, acalmar a deusa e pentear seus cabelos com dentes de marfim.

9 min de leitura · Revisado em 30 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

A foca, as ondas geladas, os dedos cortados e os cabelos negros

Família

Pais
Anguta (também registrado como Savirqong nas tradições de Baffin Land e Cumberland Sound; patriarca caçador que decepou as falanges de sua filha durante a tempestade)
Sedna
Uniões
O Petrel-glacial / Fulmar (Qaqoqadluk nas narrativas de Baffin recolhidas por Boas; ave marinha metamorfoseada em caçador formoso que a atraiu para seu ninho oceânico)O Cão Primordial (em tradições do Ártico central e oriental, primeiro esposo mítico com quem coabitou e de cuja união provieram diferentes povos e entidades)
Filhos
Os mamíferos marinhos do Ártico: focas-aneladas (netseq), focas-barbudas (ugjuk), morsas (aivik) e baleias (arveq), originadas da queda das falanges amputadas nas águas geladas
Genealogia segundo Franz Boas, The Central Eskimo (1888, pp. 583–587) e The Eskimo of Baffin Land and Hudson Bay (1901, pp. 163–165); Knud Rasmussen, Intellectual Culture of the Iglulik Eskimos (1929, pp. 62–98); Henry Rink, Tales and Traditions of the Eskimo (1875, pp. 40–42)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Boas, Franz, The Central Eskimo (Sixth Annual Report of the Bureau of Ethnology). tradução: Government Printing Office, Washington, DC, 1888. ler
  • Rasmussen, Knud, Intellectual Culture of the Iglulik Eskimos (Report of the Fifth Thule Expedition 1921-24, Vol. VII, No. 1). tradução: Gyldendalske Boghandel, Nordisk Forlag, Copenhagen, 1929. ler
  • Rink, Henry, Tales and Traditions of the Eskimo: With a Sketch of Their Habits, Religion, Language and Other Peculiarities. tradução: William Blackwood and Sons, Edinburgh and London, 1875. ler

Estudos

  • Boas, Franz, The Eskimo of Baffin Land and Hudson Bay (Bulletin of the American Museum of Natural History, Vol. XV). American Museum of Natural History, New York, 1901. abrir
  • Laugrand, Frédéric & Oosten, Jarich, Inuit Shamanism and Christianity: Transitions and Transformations in the Twentieth Century. McGill-Queen's University Press, Montreal & Kingston, 2010. abrir

Nome e epítetos

O teônimo Sedna consagrou-se na literatura antropológica a partir dos relatos colhidos por Franz Boas no final do século XIX entre os povos Oqomiut e Akudnirmiut da Baía de Cumberland.

Nas fontes antigas

The Central Eskimo, 1888 d.C.. Obra etnográfica fundacional de Franz Boas contendo a transcrição detalhada do mito de Sedna e o fulmar em Cumberland Sound, além da descrição do festival outonal de apaziguamento.

Os mitos

O Casamento com o Fulmar e a Mutilação das Falanges. Segundo a narrativa canônica colhida por Franz Boas em Cumberland Sound, Sedna vivia na praia solitária com seu pai viúvo, recusando veementemente casar-se com os jov…

Culto e arqueologia

A religiosidade inuit em torno de Sedna não envolvia templos permanentes, altares de sacrifício ou oferendas sacerdotais formais, incompatíveis com o nomadismo de alta latitude.

Como era representado

Na cultura material inuit e na tradição escultórica clássica em osso, marfim fóssil de morsa e pedra-sabão (esteatita), Sedna é retratada como uma figura feminina imponente que une traços humanos e aquáticos.

O que os estudiosos discutem

. No campo da antropologia e da história das religiões, autores renomados como Marcel Mauss ('Ensaio sobre as Variações Sazonais das Sociedades Esquimó'), Claude Lévi-Strauss e Jarich Oosten analisaram o mito de Sedna c…

Depois da Antiguidade

A figura de Sedna transcendeu a tradição oral e tornou-se um dos ícones mais celebrados da literatura e arte indígena internacional.

Você sabia?

No ano de 2003, os astrônomos Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz batizaram oficialmente um dos mais distantes corpos celestes do Sistema Solar — o planetoide transnetuniano 90377 Sedna — em homenagem…

Relíquia do Códice

Cabelos das Profundezas. Os longos cabelos emaranhados onde se prendem os animais marinhos que ela liberta ou retém.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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