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CodexMythologia
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Retrato de Têmis, divindade grega
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Têmis

A Titânide da Justiça

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Justiça, Lei e Ordem
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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Gregos antigos
Região
Grécia e Mediterrâneo
Período
séc. VIII a.C. – IV d.C.

Os deuses olimpianos eram cultuados pelas cidades-estado da Grécia antiga, de Atenas a Esparta, que lhes erguiam templos como o Partenon. Reinando do alto do monte Olimpo, presidiam cada aspecto da vida e eram celebrados em festivais como os Jogos Olímpicos. Homero e Hesíodo fixaram seus mitos, que moldaram toda a cultura ocidental.

Os Jogos Olímpicos eram realizados a cada quatro anos em honra a Zeus, e as Panateneias celebravam Atena em Atenas. Os Mistérios de Elêusis iniciavam fiéis nos segredos de Deméter e Perséfone, enquanto multidões consultavam o oráculo de Apolo em Delfos.

Em poucas palavras

Têmis (em grego antigo Θέμις) é a augusta deusa titânide da religião grega que personifica a ordem imutável do cosmo, a justiça divina ancestral, a santidade dos costumes sancionados pelos imortais e a autoridade oracular. Filha de Urano e Gaia, integra a geração primordial dos doze Titãs na Teogonia de Hesíodo (vv. 132–135) e figura como a segunda esposa divina legítima de Zeus após Métis (vv. 901–906). Dessa união cósmica e harmoniosa entre a soberania olímpica e a lei eterna nasceram as Horas — divindades que presidem a estabilidade ética e social: Eunomia (a Boa Legislação), Dice (a Justiça Retributiva) e Irene (a Paz) —, assim como as três Moiras (Cloto, Láquesis e Átropo), a quem Zeus confiou o discernimento dos destinos humanos. Na poesia homérica da Ilíada, Têmis desempenha papel litúrgico de honra insubstituível na corte celestial: ela convoca as assembleias dos deuses no Monte Olimpo por ordem de Zeus (Canto XX, vv. 4–6) e acolhe carinhosamente a deusa Hera com uma taça de néctar quando esta regressa perturbada (Canto XV, vv. 87–95), operando como guardiã da etiqueta sagrada e da harmonia entre os deuses. Como divindade profética, a tragédia grega em As Eumênides de Ésquilo consagra Têmis como a segunda senhora do oráculo de Delfos, tendo sucedido à sua mãe Gaia antes de transmitir o trípode sagrado a Febe e a Apolo. No mito do dilúvio de Deucalião, narrado por Ovídio nas Metamorfoses (I.320–415), são as orações dirigidas ao altar de Têmis que obtêm a resposta oracular salvadora: instruídos a velar a cabeça e lançar os ossos da grande mãe para trás, Deucalião e Pirra arremessam pedras no solo, recriando a humanidade a partir da terra. Cultuada ativamente em santuários de grande prestígio, como em Ramnunte na Ática, em Tebas e no Asclépion de Epidauro, Têmis consolidou-se como o arquétipo perene da retidão legal, simbolizada pela balança dos julgamentos justos.

8 min de leitura · Revisado em 30 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

A balança, a espada, a venda nos olhos e o cetro

Família

Pais
Urano (o Céu estrelado primordial) e Gaia (a Terra de largos seios geradora de todas as coisas, na Teogonia de Hesíodo vv. 132–135)
Irmãos
Os onze Titãs e Titânides irmãos: Oceano, Ceos, Créos, Hipérion, Jápeto, Cronos, Teia, Reia, Mnemósine, Febe e Tétis
Têmis
Uniões
Filhos
As três Horas (Eunomia / Boa Ordem Cívica, Dice / Justiça Sagrada e Irene / Paz Fraterna); e as três Moiras fiandeiras do destino (Cloto, Láquesis e Átropo, conforme Hesíodo, Teogonia vv. 901–906)
Genealogia segundo Hesíodo, Teogonia (vv. 135, 901–906); Homero, Ilíada (Canto XV, vv. 87–95; Canto XX, vv. 4–6); Hino Homérico a Apolo (vv. 94–96, 124–126); Ésquilo, Eumênides (vv. 1–8); Píndaro, Olímpica XIII (vv. 6–8); Pausânias, Descrição da Grécia (I.22.1, II.27.5, IX.22.1, X.5.6); Pseudo-Apolodoro, Biblioteca (I.1.3, I.3.1); Ovídio, Metamorfoses (I.320–415); Robert Parker, Polytheism and Society at Athens (2005); Hugh Lloyd-Jones, The Justice of Zeus (1971); Michael Gagarin, Early Greek Law (1986)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Hesíodo de Áscra, Teogonia (versos 135 e 901–906: nascimento divino, união com Zeus e descendência das Horas e Moiras). tradução: Hesíodo: Teogonia, estudo introdutório e tradução anotada por Christian Werner (São Paulo: Editora Hedra).
  • Homero, Ilíada (Canto XV, versos 87–95; Canto XX, versos 4–6: a convocação dos deuses e a acolhida de Hera). tradução: Homero: Ilíada, tradução poética em verso por Haroldo de Campos (São Paulo: Editora Mandarim).
  • Ésquilo, Eumênides (versos 1 a 8: a sucessão oracular de Delfos perante Gaia e Têmis). tradução: Ésquilo: Eumênides, introdução, tradução e notas por Jaa Torrano (Editora Iluminuras).
  • Ovídio (Publius Ovidius Naso), Metamorfoses (Livro I, versos 320 a 415: a oração de Deucalião e Pirra no templo de Têmis). tradução: Ovídio: Metamorfoses, tradução em verso por Domingos Lucas Dias (Editora 34).
  • Pausânias Periegeta, Descrição da Grécia (Livros I, II, IX e X: santuários de Têmis em Ramnunte, Atenas, Epidauro e Delfos). tradução: Pausanias: Description of Greece, tradução inglesa com notas por W. H. S. Jones (Loeb Classical Library).

Estudos

  • Robert Parker, Polytheism and Society at Athens. Oxford University Press, 2005.
  • Hugh Lloyd-Jones, The Justice of Zeus. University of California Press, 1971.
  • Michael Gagarin, Early Greek Law. University of California Press, 1986.
  • Karl Kerényi, The Gods of the Greeks. London: Thames and Hudson, 1951.

Nome e epítetos

O teônimo grego Thémis (Θέμις, genitivo Thémitos ou Thémidos) deriva diretamente da raiz verbal proto-indo-europeia *dʰē- ('pôr', 'assentar', 'estabelecer', cognata do verbo grego títhēmi).

Nas fontes antigas

Teogonia (Hesíodo), C. 700 a.C.. Documento teológico central que funda a descendência de Têmis e consagra sua união legítima com Zeus. Ilíada (Homero), Século VIII a.C..

Os mitos

A Convocação das Assembleias Divinas e o Conselho Pragmático no Olimpo. Nas narrativas épicas da Ilíada e nos fragmentos líricos de Píndaro, Têmis atua como a guardiã suprema do protocolo celestial e a mensageira da coe…

Culto e arqueologia

O culto a Têmis desfrutava de excepcional prestígio cívico, moral e forense nas pólis gregas, associado intimamente à administração da justiça, à integridade dos juramentos e à estabilidade das leis municipais.

Como era representado

A iconografia clássica de Têmis alcançou sua consagração plástica mais perfeita na escultura de mármore do século IV a.C.

O que os estudiosos discutem

A Distinção Jurídica entre Thémis e Dike no Pensamento Arcaico. Historiadores da filosofia jurídica e do direito grego antigo, como Michael Gagarin e Hugh Lloyd-Jones, analisam a distinção fundamental entre a figura mat…

Depois da Antiguidade

Têmis permaneceu na cultura ocidental como o símbolo supremo da equidade jurisdicional e da ética política. Esculturas, relevos e afrescos da deusa adornam os principais edifícios jurídicos do planeta, desde a Suprema C…

Você sabia?

A célebre estátua de Têmis descoberta em Ramnunte em 1890, esculpida pelo mestre Queréstrato de Ramnunte em mármore pentélico por volta de 300 a.C., traz na sua base uma inscrição dedicatória feita por um cidadão chamad…

Relíquia do Códice

Balança da Lei. A balança equilibrada com que pesa o justo e o injusto, fundamento da ordem e do direito.

O resto deste pergaminho está selado

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