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CodexMythologia
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Retrato de Circe, divindade grega
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Gregos

Circe

A Feiticeira de Eeia

Domínio
Magia, Feitiçaria e Transformação
Alinhamento
Caótico e Neutro
Elemento
Trevas
Relíquias do Poder
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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Gregos antigos
Região
Grécia e Mediterrâneo
Período
séc. VIII a.C. – IV d.C.

Os deuses olimpianos eram cultuados pelas cidades-estado da Grécia antiga, de Atenas a Esparta, que lhes erguiam templos como o Partenon. Reinando do alto do monte Olimpo, presidiam cada aspecto da vida e eram celebrados em festivais como os Jogos Olímpicos. Homero e Hesíodo fixaram seus mitos, que moldaram toda a cultura ocidental.

Os Jogos Olímpicos eram realizados a cada quatro anos em honra a Zeus, e as Panateneias celebravam Atena em Atenas. Os Mistérios de Elêusis iniciavam fiéis nos segredos de Deméter e Perséfone, enquanto multidões consultavam o oráculo de Apolo em Delfos.

Em poucas palavras

Circe (em grego antigo Κίρκη) é a célebre deusa feiticeira e mestre da farmacopeia mágica na mitologia grega, imortalizada no Canto X da Odisseia de Homero como soberana autônoma da ilha paradisíaca e isolada de Eeia (Aiaíē). Nascida da união entre o titã solar Hélio e a ninfa oceânica Perse, Circe pertence a uma formidável linhagem de manipuladores das forças arcanas do cosmo, sendo irmã carnal de Eetes (rei de Cólquida e pai da maga Medeia) e de Pasífae (rainha de Creta e mãe do Minotauro). Na narrativa homérica, ela habita um suntuoso palácio de pedras polidas erguido no centro de uma clareira florestal, onde canta com voz suave e celestial enquanto tece teias de brilho radiante em um tear monumental. O recinto palaciano acha-se cercado por leões da montanha e lobos cinzentos domesticados, animais que foram subjugados e tornados mansos pelo poder de suas poções (phármaka). Quando a comitiva de vinte e dois marinheiros comandada por Euríloco desembarcou em sua morada, Circe acolheu-os com hospitalidade enganosa, servindo-lhes vinho prâmnio misturado com queijo de cabra, farinha de cevada, mel dourado e ervas venenosas causadoras do esquecimento da pátria; tocando-os em seguida com sua vara mágica (rhabdos), a deusa transformou os homens em porcos rinchantes, encerrando-os em chiqueiros, conquanto preservassem intacta a consciência humana. Odisseu partiu para resgatá-los e foi interceptado pelo deus Hermes, que lhe entregou a lendária planta protetora moly (de raiz negra e flor leitosa). Ao ingerir a taça encantada de Circe sem sofrer metamorfose, Odisseu desembainhou a espada de bronze contra a deusa; aterrorizada, Circe prostrou-se de joelhos, reconheceu o herói anunciado pelas profecias antigas e prestou o juramento solene dos deuses de não despojá-lo de sua virilidade nem tramar contra sua vida. Desfeita a magia sobre os companheiros, Circe acolheu os marinheiros por um ano inteiro em sua corte e, na partida, instruiu minuciosamente Odisseu sobre o rito de descida ao reino dos mortos (a Nekyia) para consultar o vidente Tirésias, além de fornecer os avisos decisivos que permitiram à nau grega contornar o canto mortal das Sereias, os vagalhões de Caríbdis e os botes vorazes do monstro Cila. Na Argonáutica de Apolônio de Rodes, ela atua ainda como autoridade sacerdotal que purifica ritualmente Jasão e Medeia pelo sangue do assassinato de Apsirto, demonstrando o caráter sagrado de suas funções purificatórias arcaicas.

10 min de leitura · Revisado em 30 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

A varinha, a taça de poção, o porco e as ervas

Família

Pais
Hélio (o titã solar infatigável que tudo vê e tudo ouve) e Perse (ou Perséide, ninfa oceânica filha de Oceano e Tétis, na Odisseia de Homero X.135–139 e na Teogonia de Hesíodo vv. 956–957)
Irmãos
Eetes (rei de Cólquida, guardião do Velo de Ouro e pai de Medeia), Pasífae (rainha de Creta, esposa de Minos e mãe do Minotauro) e Perses (usurpador do trono cólquida)
Circe
Uniões
Odisseu (o herói rei de Ítaca que compartilhou seu leito por um ano na ilha mítica de Eeia); em tradições tardias do Ciclo Épico, Jasão (como suplicante ritual) ou Telêmaco
Filhos
Telégono (fundador lendário de Tusculum e Praeneste na Itália central, segundo a Telegonia e a Teogonia vv. 1011–1014); Ágrio e Latino (soberanos míticos dos povos tirrênios e latinos na Teogonia vv. 1011–1016)
Genealogia segundo Homero, Odisseia (Canto X, vv. 133–574; Canto XI; Canto XII, vv. 1–150); Hesíodo, Teogonia (vv. 956–962, 1011–1016); Apolônio de Rodes, Argonáutica (Livro IV, vv. 557–752); Ovídio, Metamorfoses (XIV, vv. 1–440); Pseudo-Apolodoro, Biblioteca (I.9.24, Epítome VII.14–19); Telegonia (Ciclo Épico atribuído a Eugamão de Cirene); Daniel Ogden, Magic, Witchcraft, and Ghosts (2002); Matthew W. Dickie, Magic and Magicians (2001); Timothy Gantz, Early Greek Myth (1993)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Homero, Odisseia (Canto X, 133–574: a chegada a Eeia e a transformação; Canto XI; Canto XII, 1–150: os conselhos de navegação). tradução: Homero: Odisseia, tradução poética em verso por Carlos Alberto Nunes (Editora Nova Fronteira).
  • Hesíodo de Áscra, Teogonia (versos 956–962: linhagem de Hélio; versos 1011–1016: união com Odisseu e geração de soberanos itálicos). tradução: Hesíodo: Teogonia, estudo analítico e tradução por Christian Werner (São Paulo: Editora Hedra).
  • Apolônio de Rodes, Argonáutica (Livro IV, versos 557 a 752: o rito de purificação de Jasão e Medeia em Eeia). tradução: Apollonius Rhodius: Argonautica, tradução com introdução e notas por Manuel de Oliveira Pulquério (Coimbra: Centro de Estudos Clássicos).
  • Ovídio (Publius Ovidius Naso), Metamorfoses (Livro XIV, versos 1 a 74 e 308 a 440: as metamorfoses de Cila e do rei Pico). tradução: Ovid: Metamorphoses, edição latina com tradução em prosa por Frank Justus Miller (Loeb Classical Library).

Estudos

  • Timothy Gantz, Early Greek Myth: A Guide to Literary and Artistic Sources. Johns Hopkins University Press, 1993.
  • Pierre Chantraine, Dictionnaire étymologique de la langue grecque: Histoire des mots. Paris: Éditions Klincksieck, 1968.
  • Daniel Ogden, Magic, Witchcraft, and Ghosts in the Greek and Roman Worlds: A Sourcebook. Oxford University Press, 2002.
  • Matthew W. Dickie, Magic and Magicians in the Greco-Roman World. London: Routledge, 2001.

Nome e epítetos

O teônimo grego Kírkē (Κίρκη) possui etimologia amplamente analisada por helenistas e filólogos clássicos. A maioria dos pesquisadores, como Pierre Chantraine e Karl Kerényi, conecta o nome ao substantivo kírkos (κίρκος…

Nas fontes antigas

Odisseia (Homero), Século VIII a.C.. Documento literário primordial e canônico que funda a narrativa de Circe, o palácio de pedras polidas e sua interação com Odisseu. Teogonia (Hesíodo), C. 700 a.C..

Os mitos

A Metamorfose dos Gregos e a Defesa Sagrada com a Planta Moly. Conforme relata Homero no Canto X da Odisseia, ao aportarem na costa montanhosa e deserta da ilha de Eeia, Odisseu dividiu seus marinheiros sobreviventes em…

Culto e arqueologia

Ao longo da Antiguidade greco-romana, a veneração cúltica a Circe esteve geograficamente fixada no Mar Tirreno e nas costas ocidentais da Península Itálica, com epicentro monumental no célebre Promontório Circeo (atual…

Como era representado

A iconografia de Circe na cerâmica grega arcaica e clássica — documentada em vasos atenienses dos séculos VI e V a.C.

O que os estudiosos discutem

Deusa Xamânica Solar Primordial versus Feiticeira Malévola no Imaginário Clássico. Historiadores da religião grega antiga, como Walter Burkert e Karl Kerényi, analisam a complexa evolução da figura de Circe.

Depois da Antiguidade

Circe tornou-se uma das figuras míticas mais duradouras da literatura universal, simbolizando o poder fascinante e perigoso das artes mágicas e da ilusão sensorial.

Você sabia?

Homero registra na Odisseia (Canto X, vv. 304–306) que a planta moly era tão profunda e sagrada que 'para os homens mortais é penoso e árduo arrancá-la do solo; os deuses, contudo, têm poder sobre todas as coisas', tran…

Relíquia do Códice

Varinha das Transformações. A varinha com que transforma homens em animais, combinada às poções de seu vasto saber mágico.

O resto deste pergaminho está selado

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