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Retrato de Mama Sara, divindade inca
Incas
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Incas

Mama Sara

A Mãe do Milho

Domínio
Milho, Colheita e Fartura
Alinhamento
Neutro e Bom
Elemento
Terra
Relíquias do Poder
Saramama de Espigas
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O Códice completo

4 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Incas
Região
Cordilheira dos Andes
Período
séc. XV – XVI

Os deuses incas eram cultuados ao longo dos Andes, do atual Peru ao Chile, a partir da capital sagrada de Cusco. O imperador (Sapa Inca) era tido como filho do sol Inti, e o povo honrava a terra-mãe Pachamama com oferendas. O culto foi reprimido após a conquista espanhola, mas persiste em tradições andinas vivas.

O Inti Raymi, a Festa do Sol, reunia o império em Cusco no solstício de inverno — e é reencenado até hoje. O templo de Coricancha tinha paredes cobertas de ouro, e oferendas à Pachamama seguem vivas nos Andes, com folhas de coca e despachos rituais.

Em poucas palavras

Mama Sara (na grafia quíchua colonial Saramama ou Zaramama, significando literalmente 'Mãe do Milho') é a divindade tutelar andina da planta sagrada do milho (Zea mays), da fertilidade dos grãos cultivados e da conservação dos celeiros familiares e estatais no Império Inca (Tawantinsuyu). Muito mais do que uma abstração poética, Mama Sara era concebida pelos agricultores quíchuas e aimarás como a potência animadora viva (camac) e a matriz sagrada imanente de cada espiga. Os camponeses andinos reconheciam suas teofanias corporificadas em espigas que exibiam características prodigiosas, como grãos geminados, fileiras torcidas ou espigas duplas fundidas em um único corpo vegetal. Conforme registraram os cronistas coloniais Inca Garcilaso de la Vega, Bernabé Cobo e Pablo José de Arriaga, essas espigas singulares recebiam o nome de zaramama e eram cerimonialmente vestidas como nobres damas indígenas com pequenos mantos de lã tecida (lliclla) e alfinetes de prata (tupu), sendo entronizadas no interior das pirhuas (celeiros rurais de taipa e cana) e das monumentais qollqas de pedra imperiais para resguardar o alimento contra pragas, umidade e geadas cordilheiranas.

6 min de leitura · Revisado em 28 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

A espiga de milho, a boneca de palha, o celeiro e a chicha

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Inca Garcilaso de la Vega, Comentarios Reales de los Incas. tradução: Edición de Aurelio Miró Quesada, Biblioteca Ayacucho, Caracas, 1985.
  • Bernabé Cobo, Historia del Nuevo Mundo. tradução: Edición de Francisco Mateos, Biblioteca de Autores Españoles, Madrid, 1956.
  • Pablo José de Arriaga, La extirpación de la idolatría en el Pirú. tradução: Edición facsimilar del Centro Bartolomé de Las Casas, Cusco, 1999.

Estudos

  • Pierre Duviols, Cultura andina y represión: Procesos y visitas de idolatrías. Centro Bartolomé de Las Casas, 1986.
  • Brian S. Bauer, Inca Religion and the Holy Landscape: The Temple of the Sun, the Ceque System, and the Sacred Topography of Cuzco. University of Texas Press, 2000.
  • Sabine MacCormack, Religion in the Andes: Vision and Imagination in Early Colonial Peru. Princeton University Press, 1991.

Nome e epítetos

O teônimo na língua quíchua imperial compõe-se do substantivo sara (ou zara na grafia dos cronistas coloniais dos séculos XVI e XVII), termo que designa o milho domesticado, e da partícula de parentesco e reverência sag…

Nas fontes antigas

Comentarios Reales de los Incas, 1609 d.C.. Inca Garcilaso de la Vega explica o conceito das mães sagradas dos alimentos (Saramama, Axomama, Cocamama) e a prática de vestir espigas de milho com roupagens femininas nos c…

Os mitos

A Alma Protetora dos Celeiros e a Espiga Dupla Vestida. Nas memórias etno-históricas transmitidas por Inca Garcilaso de la Vega e confirmadas por inquéritos de extirpação de idolatrias no vice-reinado do Peru, a conserv…

Culto e arqueologia

O culto a Mama Sara operava em duas esferas complementares no mundo andino: o plano doméstico cotidiano e os ritos agrícolas imperiais.

Como era representado

A iconografia de Mama Sara manifesta-se com clareza na cultura material andina pré-colombiana e colonial. Na escultura lítica, destaca-se a produção das conopas ou illas: pequenos fetiches portáteis talhados em basalto,…

O que os estudiosos discutem

Monoteísmo Agrário versus Animismo de Múltiplas Mães Protetoras. Antropólogos e historiadores da religião andina, como Pierre Duviols e Sabine MacCormack, salientam a distinção essencial entre a teologia imperial incaic…

Depois da Antiguidade

Mama Sara ocupa um lugar de destaque na etnobotânica, na arqueologia andina e nas narrativas sobre soberania alimentar na América do Sul.

Você sabia?

A quechua imperial distinguia dezenas de variedades de milho dedicadas a rituais específicos, sendo o milho amarelo (kellu sara) e o milho escuro arroxeado (kulli sara) os preferidos para o fabrico de chichas cerimoniai…

Relíquia do Códice

Saramama de Espigas. A boneca sagrada feita das melhores espigas da colheita, guardada para garantir a fartura do ano seguinte.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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