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Retrato de Supay, divindade inca
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Supay

O Senhor do Mundo de Baixo

Domínio
Morte, Submundo e Minas
Alinhamento
Neutro
Elemento
Trevas
Relíquias do Poder
Veios de Metal
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O Códice completo

4 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Incas
Região
Cordilheira dos Andes
Período
séc. XV – XVI

Os deuses incas eram cultuados ao longo dos Andes, do atual Peru ao Chile, a partir da capital sagrada de Cusco. O imperador (Sapa Inca) era tido como filho do sol Inti, e o povo honrava a terra-mãe Pachamama com oferendas. O culto foi reprimido após a conquista espanhola, mas persiste em tradições andinas vivas.

O Inti Raymi, a Festa do Sol, reunia o império em Cusco no solstício de inverno — e é reencenado até hoje. O templo de Coricancha tinha paredes cobertas de ouro, e oferendas à Pachamama seguem vivas nos Andes, com folhas de coca e despachos rituais.

Em poucas palavras

Supay (na grafia quíchua colonial çupay ou zupay) é a complexa entidade espiritual andina associada originariamente às sombras, aos fantasmas ancestrais, às cavernas e às profundezas subterrâneas do Ukhu Pacha. Longe de constituir uma personificação maniqueísta do mal absoluto na religião pré-hispânica dos incas, o termo designava uma potência espiritual moralmente ambivalente (podendo ser benéfica ou perigosa, segundo os primeiros léxicos quíchuas quinhentistas). Durante a evangelização colonial no vice-reinado do Peru, teólogos como José de Acosta e os bispos do Terceiro Concílio Limense (1582-1583) selecionaram a palavra supay para traduzir o conceito cristão de 'Diabo' ou 'Demônio' nos catecismos e sermonários indígenas. Essa demonização forçada gerou um poderoso sincretismo religioso andino, particularmente vivo entre os trabalhadores das minas de prata e estanho de Potosí e Oruro (na Bolívia), onde Supay se transformou em El Tío ('O Tio'), o soberano absoluto das galerias subterrâneas que protege os mineiros de desmoronamentos e revela os veios metálicos em troca de oferendas de folhas de coca, cigarros e aguardente, sendo celebrado anualmente na célebre dança da Diablada do Carnaval de Oruro.

5 min de leitura · Revisado em 28 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

As cavernas, os metais, o fogo subterrâneo e as máscaras de chifres

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Fray Domingo de Santo Tomás, Lexicon, o Vocabulario de la lengua general del Peru. tradução: Edição fac-similar de Raúl Porras Barrenechea, Instituto de Historia, Lima, 1951.
  • Diego González Holguín, Vocabulario de la lengua general de todo el Perú llamada lengua Qquichua. tradução: Edição de Raúl Porras Barrenechea, Universidad Nacional Mayor de San Marcos, Lima, 1952.

Estudos

  • Michael T. Taussig, The Devil and Commodity Fetishism in South America. University of North Carolina Press, 1980.
  • June Nash, We Eat the Mines and the Mines Eat Us: Dependency and Exploitation in Bolivian Tin Mines. Columbia University Press, 1979.
  • Pierre Duviols, La destrucción de las religiones andinas: Conquista y cristianización. Universidad Nacional Autónoma de México, 1977.

Nome e epítetos

O teônimo na língua quíchua arcaica é Çupay ou Supay. No primeiro vocabulário impresso da língua geral do Peru publicado por Frei Domingo de Santo Tomás em 1560, a palavra é traduzida como 'anjo bom ou mau, duende, fant…

Nas fontes antigas

Lexicon, o Vocabulario de la lengua general del Peru, 1560 dC.. Domingo de Santo Tomás publica a primeira definição léxica de supay como entidade ambivalente.

Os mitos

A Soberania no Ukhu Pacha e as Veias Minerais. Na divisão cosmológica andina, o mundo inferior Ukhu Pacha não era um inferno de punição moral, mas o ventre regenerador e misterioso da terra de onde nascem as águas subte…

Culto e arqueologia

O culto contemporâneo derivado de Supay sobrevive intensamente na religiosidade mineira boliviana e peruana sob a forma do culto a El Tío.

Como era representado

A iconografia visual de Supay passou por profunda transformação histórica: enquanto nas fontes pré-hispânicas ele não possuía representação física fixa além de formas espectrais ou sombras informes, a imposição barroca…

O que os estudiosos discutem

A Demonização Teológica e a Violência Linguística Colonial. Etno-historiadores e teólogos da libertação como Henrique Urbano e Pierre Duviols analisaram a decisão do Terceiro Concílio Limense de 1583 de traduzir 'diablo…

Depois da Antiguidade

Supay e sua manifestação como El Tío são objetos de contínuo estudo na antropologia do trabalho, na sociologia da religião e nos estudos culturais latino-americanos.

Você sabia?

Durante o Carnaval de Oruro na Bolívia, a dança da Diablada culmina na entrada de milhares de diabos mascarados no Santuário da Virgem do Socavão, onde os dançarinos prostram-se de joelhos diante do altar católico, sela…

Relíquia do Códice

Veios de Metal. As riquezas minerais escondidas nas entranhas da terra, sobre as quais ele reina no Uku Pacha.

O resto deste pergaminho está selado

As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.

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