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Retrato de Zurvan, divindade persa
Persas
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Persas

Zurvan

O Tempo Infinito

Domínio
Tempo, Destino e Eternidade
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Neutro
Elemento
Luz
Relíquias do Poder
Ampulheta dos Éons
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O Códice completo

5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Persas (zoroastristas)
Região
Pérsia (atual Irã)
Período
c. 1500 a.C. – 650 d.C.

As divindades persas pertencem ao zoroastrismo, a fé do antigo Império Persa, fundada nos ensinamentos de Zaratustra. Centrada na luta cósmica entre o bem (Ahura Mazda) e o mal (Angra Mainyu), influenciou o judaísmo, o cristianismo e o islã. Ainda é praticada por comunidades zoroastristas no Irã e na Índia (parses).

Nos templos do fogo, sacerdotes mantêm chamas sagradas que ardem há séculos — a de Yazd, no Irã, há mais de 1.500 anos. O Nowruz, ano novo persa do equinócio de primavera, e a noite de Yalda, no solstício de inverno, celebram a vitória da luz sobre as trevas.

Em poucas palavras

Zurvan (em avéstico: Zruuan-; em persa médio: Zurwān ou Zōrvān; em persa moderno: Zurvān) é a divindade personificada do Tempo e da duração cósmica na história religiosa do Irã pré-islâmico. No corpus do Avesta Recente, a entidade figura primordialmente como uma abstração divinizada que delineia a tessitura temporal do cosmos, sendo invocada sob dois aspectos fundamentais: Zruuan Akarana, o Tempo Ilimitado ou Infinito, e Zruuan Dareghō-chvadhāta, o Tempo de Longo Domínio que rege o ciclo histórico determinado da criação. Nessas passagens litúrgicas arcaicas (como Vendidad 19.13, Yasht 1.33 e no encerramento da cerimônia do Yasna em 72.10), Zurvan é invocado ao lado do firmamento celestial (Thwāsha) e do sopro cósmico (Vāyu), estabelecendo as coordenadas fundamentais de espaço e tempo nas quais se desdobra o confronto moral do universo. A partir do período aquemênida tardio e, de forma plenamente documentada, durante o Império Sassânida (séculos III a VII d.C.), o conceito evoluiu para uma refinada vertente teológica e cosmogônica conhecida na historiografia moderna como zurvanismo. Conforme registrado minuciosamente em fontes contemporâneas não zoroatristas (como o tratado armênio de Eznik de Kolb, a crônica de Elishe, o escoliasta siríaco Teodoro Bar Konai e o filósofo neoplatônico Damáscio citando Eudemo de Rodes), os teólogos e sacerdotes da corte sassânida concebiam Zurvan como o princípio primordial pré-existente a qualquer elemento criado. Buscando solucionar o enigma exegético levantado por Yasna 30.3 — que qualifica o Espírito Santo e o Espírito Destrutivo como 'gêmeos' —, a narrativa zurvanita relatava que Zurvan realizou sacrifícios rituais durante mil anos para gerar um filho benfazejo, Ohrmazd; contudo, diante de uma hesitação interior passageira, concebeu simultaneamente Ahreman, o princípio das trevas. Ao conceder a regência temporal inicial a Ahreman em cumprimento a um voto de primogenitura, Zurvan fixou o pacto de nove mil anos que delimita o drama cósmico, findo o qual a luz e a justiça de Ohrmazd prevalecerão em triunfo definitivo.

10 min de leitura · Revisado em 30 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

A ampulheta, o círculo do tempo, o leão e as asas

Família

Genealogia segundo Avesta (Vendidad 19.13, 19.16, 19.29; Yasna 72.10; Khorda Avesta: Ohrmazd Yasht / Yasht 1.33; Nyayesh 1.8); Textos Pálavi (Bundahishn 1.20–26; Menog-i Khrad 8.17–18, 24.8; Selections of Zadspram 1.24–28); Fontes Cristãs e Clássicas (Eznik de Kolb, De Deo / Refutação das Seitas II; Elishe, História de Vardan; Teodoro Bar Konai, Liber Scholiorum IX; Damáscio, Dubitationes et solutiones citando Eudemo de Rodes); Al-Shahrastani (Kitab al-Milal wa al-Nihal); Albert de Jong (2000, 2014); Robert Charles Zaehner (1955); Mary Boyce (1957, 1982, 1990); Shaul Shaked (1992, 1994); Kianoosh Rezania (2010)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Tradição Avéstica & Darmesteter, James (Trad.), Vendidad (Avesta Recente): Fargard 19 (Invocação do Tempo Infinito e Caminhos do Julgamento). tradução: Versão clássica de James Darmesteter, Sacred Books of the East, vol. 4 (Oxford, 1898), transcrita no arquivo Avesta.org por J. H. Peterson. ler
  • Tradição Avéstica & Darmesteter, James (Trad.), Khorda Avesta: 1. Ohrmazd Yasht (Yasht 1.33: Hino e Invocação ao Tempo Ilimitado e de Longa Duração). tradução: Versão de J. Darmesteter, Sacred Books of the East, vol. 23 (Oxford, 1883), arquivada em Avesta.org. ler
  • Eznik de Kolb (Eznik Koghbatsi), De Deo (Elc Aghandots / Refutação das Seitas): Livro II (Refutação da Religião dos Persas e Mito de Zurvan). tradução: Tradução acadêmica e aparato crítico anotado por M. J. Blanchard e R. D. Young (Peeters, Leuven, 1998). ler
  • Tradição Pálavi Sassânida & West, E. W. (Trad.), Bundahishn ('Criação Original' ou Conhecimento do Zand): Capítulo 1 (A Origem do Tempo e do Pacto). tradução: Tradução clássica de E. W. West, Sacred Books of the East, vol. 5 (Oxford, 1897), arquivada digitalmente no repositório Avesta.org. ler
  • Tradição Pálavi Sassânida & West, E. W. (Trad.), Dâdistân-î Dînîk e Menog-i Khrad (O Espírito da Sabedoria): Capítulos 8 e 24 (A Atuação do Tempo e do Destino). tradução: Tradução de E. W. West, Sacred Books of the East, vol. 24 (Oxford, 1885), arquivada em Avesta.org. ler

Estudos

  • de Jong, Albert, ZURVAN (Deity of Time). Encyclopaedia Iranica Foundation, Edição Digital, 2000/2014. abrir
  • de Jong, Albert, ZURVANISM. Encyclopaedia Iranica Foundation, Edição Digital, 2014/2015. abrir
  • Zaehner, Robert Charles, Zurvan: A Zoroastrian Dilemma. Clarendon Press / Oxford University Press, 1955. abrir
  • Boyce, Mary, A History of Zoroastrianism, Volume II: Under the Achaemenians. E.J. Brill, Leiden, 1982. abrir
  • Wikipedia Contributors, Zurvan. Wikimedia Foundation, 2024. abrir

Nome e epítetos

O teônimo avéstico Zruuan- (flexionado zruuō ou zruuanəm) é um substantivo masculino cuja raiz primária tem sido objeto de intensos estudos filológicos.

Nas fontes antigas

Vendidad (Avesta Recente), Compilação sacerdotal do primeiro milênio a.C., preservada em manuscritos litúrgicos medievais.

Os mitos

O Sacrifício Milenar, o Instante de Hesitação e o Parto dos Gêmeos. Conforme a narrativa clássica preservada no Livro II do tratado De Deo de Eznik de Kolb e confirmada por Teodoro Bar Konai, antes da existência do céu,…

Culto e arqueologia

Ao contrário de yazatas como Mithra ou Anahita, que possuíam sacerdócios regionais destacados e capelas dedicadas, Zurvan não recebia sacrifícios animais isolados nem contava com templos exclusivos no território persa.

Como era representado

A arqueologia e a história da arte não identificaram estátuas de culto inequivocamente rotuladas como representações diretas de Zurvan nos monumentos aquemênidas ou sassânidas.

O que os estudiosos discutem

Heresia Cismática versus Teologia Oficial da Corte Sassânida. O debate historiográfico central inaugurado pela monografia de R. C.

Depois da Antiguidade

A figura e o mito de Zurvan exerceram profunda influência nas tradições religiosas do Oriente Próximo da Antiguidade Tardia até o período islâmico.

Você sabia?

O manuscrito armênio de Eznik de Kolb preserva o detalhe litúrgico de que Zurvan segurava os ramos sagrados (barsom) ao realizar suas oferendas milenares, instrumento que foi subsequentemente transferido a Ohrmazd para…

Relíquia do Códice

Ampulheta dos Éons. A medida do tempo sem fim de cuja eternidade nasceram tanto a luz quanto a treva do mundo.

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