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Retrato de Eros, divindade grega
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Eros

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5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Gregos antigos
Região
Grécia e Mediterrâneo
Período
séc. VIII a.C. – IV d.C.

Os deuses olimpianos eram cultuados pelas cidades-estado da Grécia antiga, de Atenas a Esparta, que lhes erguiam templos como o Partenon. Reinando do alto do monte Olimpo, presidiam cada aspecto da vida e eram celebrados em festivais como os Jogos Olímpicos. Homero e Hesíodo fixaram seus mitos, que moldaram toda a cultura ocidental.

Os Jogos Olímpicos eram realizados a cada quatro anos em honra a Zeus, e as Panateneias celebravam Atena em Atenas. Os Mistérios de Elêusis iniciavam fiéis nos segredos de Deméter e Perséfone, enquanto multidões consultavam o oráculo de Apolo em Delfos.

Em poucas palavras

Eros (em grego antigo Ἔρως) ocupa uma posição teológica extraordinária na religião e no pensamento grego, oscilando entre uma força cosmogônica elementar e uma divindade alada de paixão psicológica irresistível. Na Teogonia de Hesíodo (século VIII a.C.), Eros emerge no próprio alvorecer da criação logo após o Caos e Gaia (a Terra), figurando como a mais bela entre todas as potestades imortais, cuja energia desata os membros e subjuga o juízo lúcido de deuses e homens. Como princípio de atração gravitacional e reprodutiva, ele é a condição ontológica indispensável para que o universo primordial deixe a estagnação estéril e prolifere em linhagens cósmicas. Ao lado dessa dimensão cosmogônica arcaica, preservada no santuário beócio de Téspias sob a forma anicônica de uma pedra bruta (argos lithos), a poesia lírica e a tragédia clássica humanizaram o deus como filho alado de Afrodite e companheiro inseparável das Graças e de Hímeros. No Banquete de Platão, através do memorável discurso atribuído à sacerdotisa Diotima de Mantineia, Eros é redefinido não como um deus possuidor da perfeição, mas como um grande daimon mediador — gerado de Recurso (Poros) e Pobreza (Penia) —, que simboliza a carência humana em busca perpétua da beleza transcendente e do saber filosófico. Na era helenística e romana, consolidou-se a figura graciosa e travessa de Cupido, o arqueiro alado munido de flechas de ouro que acendem a paixão e de chumbo que repelem o afeto, celebrizado no romance iniciático de Apuleio sobre as provações e a união mística de Cupido e Psiquê.

9 min de leitura · Revisado em 30 de setembro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

Arco e flecha, asas, tocha e a venda nos olhos

Família

Pais
Caos primordial na cosmogonia hesiódica (sem progenitores); Afrodite e Ares (ou Hermes) nas tradições líricas e clássicas posteriores
Irmãos
Ânteros (o amor correspondido e vingador), Hímeros (o desejo impetuoso) e Pótos (o anseio e a saudade)
Eros
Uniões
Psiquê (personificação mortal da alma humana elevada à imortalidade olímpica)
Filhos
Hedonê / Volúpia (personificação do prazer espiritual, corporal e da alegria extática)
Genealogia segundo Hesíodo, Teogonia (vv. 116–122); Parmênides, Sobre a Natureza (Fragmento B 13); Aristófanes, As Aves (vv. 693–702); Safo, Fragmentos (Fr. 130 Lobel-Page); Platão, Banquete (Symposion, 178a–180b e 201d–212c); Apolônio de Rodes, Argonáuticas (Livro III, vv. 111–166 e 275–298); Pausânias, Descrição da Grécia (Livros I, cap. 30.1 e IX, cap. 27.1–4); Apuleio, Metamorfoses (O Asno de Ouro, Livros IV.28–VI.24); Walter Burkert, Greek Religion (1985); Timothy Gantz, Early Greek Myth (1993)

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Hesíodo de Áscra, Teogonia (versos 116 a 122: o princípio de Eros). tradução: Versão em língua portuguesa por Christian Werner, São Paulo: Editora Hedra (2013).
  • Platão de Atenas, O Banquete (Symposion, 201d–212c). tradução: Tradução e introdução por Donaldo Schüler, Porto Alegre: L&PM Editores.
  • Pausânias Periegeta, Descrição da Grécia (Livro Nono, Beócia). tradução: Tradução com notas arqueológicas por Maria Helena da Rocha Pereira, Fundação Calouste Gulbenkian.
  • Lúcio Apuleio, O Asno de Ouro (Metamorfoses, narrativa de Amor e Psiquê). tradução: Tradução clássica de Ruth Guimarães, São Paulo: Editora Cultrix.

Estudos

  • Claude Calame, The Poetics of Eros in Ancient Greece. Princeton University Press, 1999.
  • G. R. F. Ferrari, Listening to the Cicadas: A Study of Plato's Phaedrus and Symposium. Cambridge University Press, 1987.
  • Timothy Gantz, Early Greek Myth: A Guide to Literary and Artistic Sources. The Johns Hopkins University Press, 1993.
  • Bruce S. Thornton, Eros: The Myth of Ancient Greek Sexuality. Westview Press, 1997.

Nome e epítetos

O teônimo Eros (Ἔρως, com genitivo Ἔρωtos) deriva da raiz nominal grega arcaica que designa o desejo amoroso apaixonado, ligada historicamente ao verbo erao (ἐράω, 'desejar ardentemente' ou 'estar apaixonado').

Nas fontes antigas

Teogonia (Hesíodo), C. 700 a.C.. Descreve o nascimento de Eros imediatamente após Caos e Gaia como a força desatadora dos membros. O Banquete (Platão), C. 385–370 a.C..

Os mitos

A Provação da Alma e o Matrimônio Secreto de Psiquê. Conforme preservado no romance latino de Apuleio, uma jovem mortal de beleza incomparável chamada Psiquê atraiu inadvertidamente a admiração dos homens, que abandonar…

Culto e arqueologia

O culto histórico de Eros concentrava-se de modo primordial na pólis de Téspias, na Beócia, aos pés do Monte Hélicon.

Como era representado

A evolução da arte grega reflete com precisão a transformação teológica de Eros. Durante o período arcaico e clássico (séculos VI a IV a.C.), a cerâmica de figuras negras e vermelhas e as grandes esculturas representava…

O que os estudiosos discutem

A Cisão entre a Força Cosmogônica Primordial e o Amorino Psicológico. Helenistas como Walter Burkert e Timothy Gantz debatem o processo pelo qual uma entidade cosmogônica fundamental na Teogonia de Hesíodo — comparável…

Depois da Antiguidade

A figura de Eros consolidou-se como um dos pilares mais duradouros da civilização ocidental, inspirando a teoria do amor platônico na Academia Florentina de Marsilio Ficino no Renascimento, obras-primas da pintura e da…

Você sabia?

No santuário arcaico de Téspias, os fiéis recusaram-se por séculos a substituir a pedra informe (argos lithos) pela famosa estátua esculpida por Praxíteles, mantendo a rocha sagrada como o verdadeiro centro ritual do de…

Relíquia do Códice

Arco de Ouro e Chumbo. Um arco com flechas douradas que despertam a paixão e flechas de chumbo que provocam a repulsa.

O resto deste pergaminho está selado

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