5 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.
Os deuses cananeus eram cultuados pelos povos do Levante, incluindo os fenícios, grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo. Presididos por El e pelo deus da tempestade Baal, eram honrados em cidades como Ugarit, Tiro e Cartago. Seus mitos, redescobertos em tábuas de Ugarit, dialogam de perto com as tradições bíblicas.
O culto seguia o ciclo agrícola de Baal, com festas de outono pedindo as chuvas e lamentos por sua descida ao mundo dos mortos. Os fiéis adoravam nos "altos lugares" (bamot) e em templos urbanos, com estelas de pedra, incenso e sacrifícios de animais.
01
Em poucas palavras
Melqart (em fenício: 𐤌𐤋𐤒𐤓𐤕, mlqrt, resultante da aglutinação de milk-qart, que significa literalmente 'Rei da Cidade') é a suprema divindade cívica e dinástica de Tiro, a grande metrópole insular fenícia. Venerado como fiador absoluto da realeza tíria e condutor divino da expansão marítima pelo Mar Mediterrâneo, Melqart personifica a transição histórica das divindades da Idade do Bronze para as instituições estatais e mercantis da Idade do Ferro. Diferente de outros deuses do panteão cananeu primordial de Ugarit, Melqart emergiu no início do primeiro milênio a.C. como o protetor pessoal da dinastia fundada pelo rei Hiram I (século X a.C.). No coração da ilha de Tiro, seu santuário nacional abrigava duas colunas monumentais de significado cósmico e litúrgico — uma de ouro puro e outra de esmeralda luminosa —, cuja magnitude e esplendor noturno foram testemunhados e descritos pelo historiador grego Heródoto no século V a.C. Os sacerdotes afirmavam a Heródoto que o templo fôra edificado simultaneamente com a fundação da própria cidade, remontando a vinte e três séculos antes da visita do cronista de Halicarnasso. Um dos aspectos mais singulares e influentes de sua teologia era o ritual da egersis ('o despertar' ou renovação vital), registrado pelos historiadores helenísticos Menandro de Éfeso e Flávio Josefo: a cada ano, no mês primaveril de Perício, o monarca tírio celebrava publicamente a ressurreição mítica do deus após um sono ritual ou imolação ígnea, ato que revigorava a fecundidade agrícola, revalidava a aliança entre o palácio e o altar e afiançava a segurança dos navegantes. Como deus colonizador (archegetes), Melqart viajou nos navios fenícios através dos mares, presidindo a fundação de entrepostos ilustres como Gadir (atual Cádis, na Península Ibérica), Lixus, Kition em Chipre, Malta, Tharros na Sardenha e a poderosa Cartago, onde tributos de dízimos anuais continuaram a ser enviados piedosamente ao templo-mãe de Tiro durante séculos.
10 min de leitura · Revisado em 1 de outubro de 2026 · Como pesquisamos
Genealogia segundo Histórias de Heródoto (II.44); Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas VIII.5.3, Contra Ápion I.18, citando Menandro de Éfeso); Tratado de Assarhaddon com Ba'al de Tiro (SAA 2 5, col. IV); Estela de Bir-Hadad de Bureij (KAI 201); Cipos de Melqart de Malta (KAI 47 / CIS I 122); Estrabão (Geografia III.5.3–9); Filão de Biblos (História Fenícia em Eusébio, Praeparatio Evangelica I.10); Corinne Bonnet (1988); Edward Lipiński (1995, 2002); Pierre Bordreuil (1993, 2000); Sergio Ribichini (1988); John Day (2000)
04
Fontes e leituras
Fontes primárias
Heródoto de Halicarnasso, Histórias (Livro II, capítulo 44: O Santuário de Héracles em Tiro e os Dois Pilares Sagrados). tradução: Edição crítica e tradução de A. D. Godley (Loeb Classical Library) e repositório Livius.org. ler
Menandro de Éfeso / Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas (VIII.5.3) e Contra Ápion (I.18): As Obras de Hiram I e o Despertar de Héracles. tradução: Edição grega e notas historiográficas no arquivo acadêmico Wikipedia. ler
Bir-Hadad, rei de Aram, Estela Votiva Aramaica de Melqart de Bureij (inscrição epigráfica KAI 201 / Museu do Louvre). tradução: Edição epigráfica semítica e comentários arqueológicos na Wikipedia. ler
Abdosir e Osirshamar, nobres fenícios de Malta, Cipos Votivos de Melqart de Malta (inscrição bilíngue fenício-grega KAI 47 / CIS I 122 / IG XIV 600). tradução: Texto epigráfico bilíngue e histórico de deciframento na Wikipedia. ler
Escribas Reais de Nínive & Assarhaddon, Tratado de Assarhaddon com Ba'al de Tiro (tablete cuneiforme neoassírio SAA 2 5 / VAT 11449). tradução: Corpus of State Archives of Assyria e aparato do Dictionary of Deities and Demons in the Bible (Brill). ler
Estrabão de Amásia, Geografia (Livro III, capítulo 5: O Templo de Melqart em Gadir e as Colunas de Bronze). tradução: Edição de H. L. Jones (Loeb Classical Library) documentada na Wikipedia. ler
Estudos
Bonnet, Corinne, Melqart: Cultes et mythes de l'Héraclès tyrien en Méditerranée. Peeters / Presses Universitaires de Namur (Studia Phoenicia VIII), 1988. abrir
Bordreuil, Pierre, Melqart. Dictionnaire de la civilisation phénicienne et punique / Encyclopedia.com, 1993. abrir
Lipiński, Edward, Dieux et déesses de l'univers phénicien et punique. Peeters Publishers, 1995. abrir
Day, John, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan. Sheffield Academic Press, 2000. abrir
Ribichini, Sergio, Poenus advena: Gli dei fenici e l'interpretazione classica. Consiglio Nazionale delle Ricerche (CNR), 1988. abrir
Teixidor, Javier, The Pagan God: Popular Religion in the Greco-Roman Near East. Princeton University Press, 1977. abrir
Nome e epítetos
O teônimo fenício Melqart decorre da fusão gramatical de dois vocábulos semíticos: o substantivo milk ('rei' ou 'senhor soberano') e o substantivo qart ('cidade' fortificada ou capital amuralhada, termo cognato do hebra…
Nas fontes antigas
Histórias de Heródoto, c. 440 a.C.. Heródoto descreve detalhadamente sua visita ao templo de Héracles em Tiro, destacando os dois pilares sagrados de ouro e esmeralda e a contagem sacerdotal dos 2.300 anos desde a funda…
Os mitos
A Fundação de Tiro e as Colunas de Ouro e Esmeralda. Conforme as memórias sacerdotais recolhidas no Levante e mencionadas por autores da Antiguidade clássica, a fundação de Tiro estava atrelada a duas massas rochosas er…
Culto e arqueologia
O culto a Melqart caracterizava-se por ritos de alta solenidade sacerdotal, estrita pureza litúrgica e profunda vinculação às navegações e à linhagem monárquica de Tiro.
Como era representado
Na cultura material e na numismática fenícia e púnica, a iconografia de Melqart expressa uma sofisticada fusão entre símbolos bélicos semíticos da Idade do Ferro e convenções plásticas helênicas.
O que os estudiosos discutem
. Os estudos semíticos e a história das religiões debateram intensamente ao longo das últimas décadas a real natureza originária de Melqart.
Depois da Antiguidade
Melqart exerceu uma impressão indelével e duradoura na imaginação mítica do Mediterrâneo antigo e nas tradições posteriores do Ocidente.
Você sabia?
No verão de 218 a.C., antes de iniciar sua épica marcha através dos Pireneus e dos Alpes em direção à Península Itálica, o célebre general cartaginês Aníbal Barca viajou em peregrinação devota ao Templo de Melqart em Ga…
Relíquia do Códice
Fogo do Renascimento. A pira sagrada em que morre e renasce a cada ano, repetindo o ciclo da morte e da ressurreição.
O resto deste pergaminho está selado
As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.