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Retrato de Kothar-wa-Khasis, divindade cananeia
Cananeus
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Cananeus

Kothar-wa-Khasis

O Artesão Divino

Domínio
Forja, Artes e Engenho
Alinhamento
Leal e Bom
Elemento
Terra
Relíquias do Poder
Maças Forjadas para Baal
Falar com Kothar-wa-Khasis

O Códice completo

4 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.

O Povo

Povo
Cananeus e fenícios
Região
Levante (Síria, Líbano, Israel)
Período
c. 3000 – 300 a.C.

Os deuses cananeus eram cultuados pelos povos do Levante, incluindo os fenícios, grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo. Presididos por El e pelo deus da tempestade Baal, eram honrados em cidades como Ugarit, Tiro e Cartago. Seus mitos, redescobertos em tábuas de Ugarit, dialogam de perto com as tradições bíblicas.

O culto seguia o ciclo agrícola de Baal, com festas de outono pedindo as chuvas e lamentos por sua descida ao mundo dos mortos. Os fiéis adoravam nos "altos lugares" (bamot) e em templos urbanos, com estelas de pedra, incenso e sacrifícios de animais.

Em poucas palavras

Kothar-wa-Khasis (em ugarítico alfabético: 𐎋𐎘𐎗 𐎆 𐎧𐎒𐎒, vocalizado como Kôṯaru-wa-Ḫasīsu; em grego em Filão de Biblos: Χουσώρ, Chousōr) é o deus artífice, ferreiro, arquiteto, metalurgista e mágico da religião cananeia e ugarítica da Idade do Bronze Recente. Documentado primordialmente nos tabletes cuneiformes de Ras Shamra (antiga cidade-estado de Ugarit, na costa norte da Síria), Kothar personifica a perícia técnica refinada, a engenhosidade artesanal e o poder oracular das palavras de encantamento. Seu nome teonímico duplo expressa a união das qualidades complementares da 'Destreza' (kṯr) e da 'Sabedoria Perceptiva' (ḫss). Nas narrativas mitológicas do Ciclo de Baal, desempenha papel determinante na instauração e manutenção da soberania divina: quando Baal-Hadad se encontra encurralado pelas ameaças de Yammu (o Mar tirânico), Kothar forja e encanta as duas clavas mágicas arremessáveis, Yagrush ('Expulsor') e Ayyamur ('Perseguidor'), cujos golpes certeiros fraturam o crânio de Yammu e asseguram o triunfo do deus da tempestade (KTU 1.2 IV). Posteriormente, sob encargo oficial de El e intercessão de Athirat (Asherah), Kothar projeta e constrói o grandioso palácio de Baal no Monte Saphon (Jebel Aqra), fabricando ornamentos de ouro, prata e lápis-lazúli, além de protagonizar um célebre debate arquitetônico sobre a conveniência de instalar uma fresta ou janela no teto da morada celeste (KTU 1.4 V–VII). No Poema Épico de Aqhat (KTU 1.17 V), Kothar visita a tenda do justo governante Danel e presenteia o príncipe com um arco compósito de excelência artesanal inigualável, artefato bélico que logo desperta a cobiça implacável da deusa guerreira Anat. Na geografia mítica ugarítica, suas residências ancestrais situam-se em Caphtor (Creta, kptr) e Mênfis no Egito (ḥkpt), demonstrando a percepção levantina de Creta e do Egito faraônico como polos originários da alta manufatura metalúrgica e da arquitetura sagrada.

9 min de leitura · Revisado em 1 de outubro de 2026 · Como pesquisamos

Símbolos sagrados

O martelo, a bigorna, as ferramentas e o palácio

Fontes e leituras

Fontes primárias

  • Ilimilku de Shubanu, escriba chefe do rei Niqmaddu II de Ugarit, Ciclo de Baal de Ras Shamra (tabletes KTU 1.1–1.6 do Museu do Louvre). tradução: Transcrição cuneiforme e tradução de Mark S. Smith no acervo Mythos Atlas. ler
  • Colegiado de sacerdotes letrados da Casa do Sumo Sacerdote de Ugarit, Poema Épico de Aqhat: A Entrega do Arco Prodigioso a Danel (tablete cuneiforme KTU 1.17 V de Ras Shamra). tradução: Edição e tradução acadêmica da Lenda de Danel e Aqhat indexada no repositório Mythos Atlas. ler
  • Escribas Litúrgicos de Ugarit, Textos Rituais e Listas Sacrificiais Canônicas de Ugarit (KTU 1.47, KTU 1.118, KTU 1.148; Vocabulário Poliglota RS 20.24). tradução: Edição epigráfica francesa em Mission de Ras Shamra e documentação na Wikipedia. ler
  • Sanchuniathon & Filão de Biblos (Preservado por Eusébio de Cesareia), História Fenícia / Praeparatio Evangelica: O Culto de Chousor e a Invenção do Ferro e da Navegação (Livro I, Capítulo 10). tradução: Tradução grega helenística e edição crítica na biblioteca digital da Wikipedia. ler
  • Escribas de Ras Shamra, Encantamento Mitológico contra Picadas de Serpentes e Répteis Venenosos (Tablete cuneiforme KTU 1.100). tradução: Edição crítica e comentário de Dennis Pardee em 'Ritual and Cult at Ugarit'. ler

Estudos

  • Smith, Mark S., The Ugaritic Baal Cycle: Volume I. Introduction with Text, Translation and Commentary of KTU 1.1-1.2. E.J. Brill, 1994. abrir
  • Smith, Mark S. & Pitard, Wayne T., The Ugaritic Baal Cycle: Volume II. Introduction with Text, Translation and Commentary of KTU 1.3-1.4. E.J. Brill, 2009. abrir
  • Day, John, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan. Sheffield Academic Press, 2000. abrir
  • Albright, William Foxwell, Yahweh and the Gods of Canaan: A Historical Analysis of Two Contrasting Faiths. Doubleday, 1968. abrir
  • Pardee, Dennis, Ritual and Cult at Ugarit. Society of Biblical Literature, 2002. abrir
  • Lewis, Theodore J., The Origin and Character of God: Ancient Israelite Religion in its Western Semitic Setting. Oxford University Press, 2020. abrir

Nome e epítetos

O teônimo Kôṯaru-wa-Ḫasīsu é formado pela junção copulativa de dois adjetivos semíticos norte-ocidentais: o primeiro membro deriva da raiz semítica triconsonantal k-ṯ-r, que denota 'ser hábil', 'competente', 'apto' ou '…

Nas fontes antigas

Ciclo de Baal de Ras Shamra, c. 1250–1200 a.C. (Idade do Bronze Recente). Documenta a confecção das clavas mágicas Yagrush e Ayyamur para combater Yammu, e o planejamento minucioso do palácio de cedro, prata e ouro no S…

Os mitos

A Forja e o Encantamento das Clavas Mágicas Yagrush e Ayyamur. No episódio do combate cósmico entre Baal e o deus marítimo Yammu (KTU 1.2 IV), a assembleia dos deuses fraqueja diante das pretensões despóticas do príncip…

Culto e arqueologia

Em Ugarit, Kothar-wa-Khasis recebia homenagens cúlticas institucionais registradas nos arquivos de oferendas estatais de Ras Shamra (KTU 1.47:33, KTU 1.118:32 e KTU 1.148:11), onde carneiros e libações vinárias eram sac…

Como era representado

Apesar de raras as inscrições nominativas diretas em esculturas figurativas, a arqueologia de Ras Shamra recuperou diversas estatuetas votivas em bronze fundido representando deuses artesãos e guerreiros trajando saias…

O que os estudiosos discutem

. O principal foco de debate entre semitistas e historiadores das religiões do Próximo Oriente Antigo diz respeito à localização geográfica mítica das moradas de Kothar e ao significado de seu caráter 'estrangeiro' no p…

Depois da Antiguidade

No imaginário do Mediterrâneo oriental antigo, Kothar tornou-se o modelo paradigmático do arquiteto sagrado e inventor engenhoso, exercendo influxo indireto sobre as representações clássicas de Dédalo, Hefesto e dos art…

Você sabia?

O termo hebraico moderno e tradicional 'kosher' (adequado, próprio, idôneo) compartilha a exata raiz triconsonantal semítica k-ṯ-r / k-š-r presente no nome de Kothar.

Relíquia do Códice

Maças Forjadas para Baal. As armas mágicas que saíram de sua forja, capazes de derrotar até o mar e a morte.

O resto deste pergaminho está selado

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