4 seções desta ficha estão abertas para todo mundo: o resumo, o povo, os símbolos, a linhagem e as fontes. As outras 9 (Nome e epítetos, Nas fontes antigas, Os mitos, Culto e arqueologia, Como era representado, O que os estudiosos discutem, Depois da Antiguidade, Você sabia?, Relíquia do Códice) fazem parte do Códice completo: o PRO abre o estudo inteiro das 500 divindades, e sem assinatura você lê uma ficha completa por dia, igual no app.
Os deuses cananeus eram cultuados pelos povos do Levante, incluindo os fenícios, grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo. Presididos por El e pelo deus da tempestade Baal, eram honrados em cidades como Ugarit, Tiro e Cartago. Seus mitos, redescobertos em tábuas de Ugarit, dialogam de perto com as tradições bíblicas.
O culto seguia o ciclo agrícola de Baal, com festas de outono pedindo as chuvas e lamentos por sua descida ao mundo dos mortos. Os fiéis adoravam nos "altos lugares" (bamot) e em templos urbanos, com estelas de pedra, incenso e sacrifícios de animais.
01
Em poucas palavras
Kothar-wa-Khasis (em ugarítico alfabético: 𐎋𐎘𐎗 𐎆 𐎧𐎒𐎒, vocalizado como Kôṯaru-wa-Ḫasīsu; em grego em Filão de Biblos: Χουσώρ, Chousōr) é o deus artífice, ferreiro, arquiteto, metalurgista e mágico da religião cananeia e ugarítica da Idade do Bronze Recente. Documentado primordialmente nos tabletes cuneiformes de Ras Shamra (antiga cidade-estado de Ugarit, na costa norte da Síria), Kothar personifica a perícia técnica refinada, a engenhosidade artesanal e o poder oracular das palavras de encantamento. Seu nome teonímico duplo expressa a união das qualidades complementares da 'Destreza' (kṯr) e da 'Sabedoria Perceptiva' (ḫss). Nas narrativas mitológicas do Ciclo de Baal, desempenha papel determinante na instauração e manutenção da soberania divina: quando Baal-Hadad se encontra encurralado pelas ameaças de Yammu (o Mar tirânico), Kothar forja e encanta as duas clavas mágicas arremessáveis, Yagrush ('Expulsor') e Ayyamur ('Perseguidor'), cujos golpes certeiros fraturam o crânio de Yammu e asseguram o triunfo do deus da tempestade (KTU 1.2 IV). Posteriormente, sob encargo oficial de El e intercessão de Athirat (Asherah), Kothar projeta e constrói o grandioso palácio de Baal no Monte Saphon (Jebel Aqra), fabricando ornamentos de ouro, prata e lápis-lazúli, além de protagonizar um célebre debate arquitetônico sobre a conveniência de instalar uma fresta ou janela no teto da morada celeste (KTU 1.4 V–VII). No Poema Épico de Aqhat (KTU 1.17 V), Kothar visita a tenda do justo governante Danel e presenteia o príncipe com um arco compósito de excelência artesanal inigualável, artefato bélico que logo desperta a cobiça implacável da deusa guerreira Anat. Na geografia mítica ugarítica, suas residências ancestrais situam-se em Caphtor (Creta, kptr) e Mênfis no Egito (ḥkpt), demonstrando a percepção levantina de Creta e do Egito faraônico como polos originários da alta manufatura metalúrgica e da arquitetura sagrada.
9 min de leitura · Revisado em 1 de outubro de 2026 · Como pesquisamos
02
Símbolos sagrados
O martelo, a bigorna, as ferramentas e o palácio
03
Fontes e leituras
Fontes primárias
Ilimilku de Shubanu, escriba chefe do rei Niqmaddu II de Ugarit, Ciclo de Baal de Ras Shamra (tabletes KTU 1.1–1.6 do Museu do Louvre). tradução: Transcrição cuneiforme e tradução de Mark S. Smith no acervo Mythos Atlas. ler
Colegiado de sacerdotes letrados da Casa do Sumo Sacerdote de Ugarit, Poema Épico de Aqhat: A Entrega do Arco Prodigioso a Danel (tablete cuneiforme KTU 1.17 V de Ras Shamra). tradução: Edição e tradução acadêmica da Lenda de Danel e Aqhat indexada no repositório Mythos Atlas. ler
Escribas Litúrgicos de Ugarit, Textos Rituais e Listas Sacrificiais Canônicas de Ugarit (KTU 1.47, KTU 1.118, KTU 1.148; Vocabulário Poliglota RS 20.24). tradução: Edição epigráfica francesa em Mission de Ras Shamra e documentação na Wikipedia. ler
Sanchuniathon & Filão de Biblos (Preservado por Eusébio de Cesareia), História Fenícia / Praeparatio Evangelica: O Culto de Chousor e a Invenção do Ferro e da Navegação (Livro I, Capítulo 10). tradução: Tradução grega helenística e edição crítica na biblioteca digital da Wikipedia. ler
Escribas de Ras Shamra, Encantamento Mitológico contra Picadas de Serpentes e Répteis Venenosos (Tablete cuneiforme KTU 1.100). tradução: Edição crítica e comentário de Dennis Pardee em 'Ritual and Cult at Ugarit'. ler
Estudos
Smith, Mark S., The Ugaritic Baal Cycle: Volume I. Introduction with Text, Translation and Commentary of KTU 1.1-1.2. E.J. Brill, 1994. abrir
Smith, Mark S. & Pitard, Wayne T., The Ugaritic Baal Cycle: Volume II. Introduction with Text, Translation and Commentary of KTU 1.3-1.4. E.J. Brill, 2009. abrir
Day, John, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan. Sheffield Academic Press, 2000. abrir
Albright, William Foxwell, Yahweh and the Gods of Canaan: A Historical Analysis of Two Contrasting Faiths. Doubleday, 1968. abrir
Pardee, Dennis, Ritual and Cult at Ugarit. Society of Biblical Literature, 2002. abrir
Lewis, Theodore J., The Origin and Character of God: Ancient Israelite Religion in its Western Semitic Setting. Oxford University Press, 2020. abrir
Nome e epítetos
O teônimo Kôṯaru-wa-Ḫasīsu é formado pela junção copulativa de dois adjetivos semíticos norte-ocidentais: o primeiro membro deriva da raiz semítica triconsonantal k-ṯ-r, que denota 'ser hábil', 'competente', 'apto' ou '…
Nas fontes antigas
Ciclo de Baal de Ras Shamra, c. 1250–1200 a.C. (Idade do Bronze Recente). Documenta a confecção das clavas mágicas Yagrush e Ayyamur para combater Yammu, e o planejamento minucioso do palácio de cedro, prata e ouro no S…
Os mitos
A Forja e o Encantamento das Clavas Mágicas Yagrush e Ayyamur. No episódio do combate cósmico entre Baal e o deus marítimo Yammu (KTU 1.2 IV), a assembleia dos deuses fraqueja diante das pretensões despóticas do príncip…
Culto e arqueologia
Em Ugarit, Kothar-wa-Khasis recebia homenagens cúlticas institucionais registradas nos arquivos de oferendas estatais de Ras Shamra (KTU 1.47:33, KTU 1.118:32 e KTU 1.148:11), onde carneiros e libações vinárias eram sac…
Como era representado
Apesar de raras as inscrições nominativas diretas em esculturas figurativas, a arqueologia de Ras Shamra recuperou diversas estatuetas votivas em bronze fundido representando deuses artesãos e guerreiros trajando saias…
O que os estudiosos discutem
. O principal foco de debate entre semitistas e historiadores das religiões do Próximo Oriente Antigo diz respeito à localização geográfica mítica das moradas de Kothar e ao significado de seu caráter 'estrangeiro' no p…
Depois da Antiguidade
No imaginário do Mediterrâneo oriental antigo, Kothar tornou-se o modelo paradigmático do arquiteto sagrado e inventor engenhoso, exercendo influxo indireto sobre as representações clássicas de Dédalo, Hefesto e dos art…
Você sabia?
O termo hebraico moderno e tradicional 'kosher' (adequado, próprio, idôneo) compartilha a exata raiz triconsonantal semítica k-ṯ-r / k-š-r presente no nome de Kothar.
Relíquia do Códice
Maças Forjadas para Baal. As armas mágicas que saíram de sua forja, capazes de derrotar até o mar e a morte.
O resto deste pergaminho está selado
As lendas, o mito, o culto e as relíquias fazem parte do Códice completo. Você pode abrir 1 ficha completa de graça por dia; para abrir todas as 500 divindades sem limite e sem anúncios, assine o Codex PRO.